Saúde

Úlceras diabéticas nos pés causam dor intensa mesmo com dormência

Aumento da sede, fome excessiva e cansaço persistente estão entre os principais sinais do diabetes (Imagem: Proxima Studio | Shutterstock)

Feridas crônicas nos pés causadas pelo diabetes podem provocar dor severa e imprevisível, mesmo quando há perda de sensibilidade na região. O problema é que esse sofrimento frequentemente passa despercebido pelos profissionais de saúde, que associam as úlceras diabéticas apenas à dormência. A constatação é de uma tese de doutorado da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

As úlceras diabéticas surgem em áreas de pressão, como dedos, parte anterior do pé e calcanhar. Elas afetam pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2, e resultam de má circulação sanguínea e lesões nos nervos. Apesar da sensibilidade reduzida, a dor pode variar de um incômodo leve a uma sensação de corte com faca na sola do pé.

“Os pacientes vivem com a realidade de que uma dor intensa pode surgir de repente, a qualquer hora do dia ou da noite. Eles não conseguem prever quando a dor vai aparecer, o que leva a distúrbios do sono e dificulta o planejamento da vida diária e das atividades sociais”, afirma Anneli Ringblom, enfermeira e doutora em ciência da enfermagem e saúde, autora do estudo.

A pesquisa se baseou em questionários e entrevistas com pacientes que sofrem com úlceras diabéticas nos pés.

Planejamento da rotina se torna desafio

A imprevisibilidade da dor obriga os pacientes a uma vigilância constante. Perguntas como “posso trabalhar no jardim?”, “posso ir à festa?” ou “tenho analgésicos suficientes?” passam a dominar o cotidiano. Ao mesmo tempo, eles sentem que suas queixas de dor não recebem a devida atenção no sistema de saúde e acabam lidando sozinhos com o problema.

“Em geral, os pacientes apreciam os profissionais que os atendem — médicos, enfermeiros e podólogos recebem avaliações positivas nas pesquisas. No entanto, eles também relatam que a dor nem sempre é reconhecida. Explicam que os profissionais nem sempre perguntam sobre a dor, e que eles próprios hesitam em mencioná-la para não sobrecarregar a equipe”, diz Anneli Ringblom.

Alguns pacientes descrevem a dor como tão severa e persistente que a amputação chega a parecer uma saída, um meio de escapar do sofrimento, embora seja simultaneamente uma das consequências mais temidas das úlceras não cicatrizadas.

Necessidade de novas estratégias clínicas

Anneli Ringblom ressalta que os estudos de sua tese focaram na perspectiva do paciente. Embora não tenha investigado eventos clínicos específicos, ela defende que os achados apontam para a necessidade de maior atenção e estratégias mais claras para avaliar e aliviar a dor associada às úlceras diabéticas nos pés.

“As úlceras diabéticas nos pés são extremamente limitantes. Os pacientes descrevem uma mudança na relação com o próprio corpo, uma sensação de que não podem mais confiar nele. Alguns dizem que não têm mais energia para caminhar. A preparação envolvida — aplicar pomadas, fazer curativos e verificar coisas como uma dobra na meia ou um grão de areia no sapato — é muito exigente, especialmente porque até pequenas lesões nos pés podem ter consequências graves. Eles enfrentam uma pressão imensa e uma pesada responsabilidade pessoal para garantir que nada dê errado”, conclui a pesquisadora.

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