Em um centro cirúrgico de alta complexidade, quando o coração de um paciente para de bater e seus pulmões deixam de funcionar, um profissional assume o controle das funções vitais enquanto cirurgiões cardiovasculares realizam o tratamento. Esse especialista é o perfusionista, responsável por literalmente manter a vida durante procedimentos de extrema delicadeza.
O Dia Mundial do Perfusionista é celebrado em 6 de maio, data que marca os 73 anos da primeira cirurgia cardíaca da história com a máquina coração-pulmão, realizada em 1953 pelo cirurgião americano John Gibbon Jr. Mais de sete décadas depois, apesar dos avanços tecnológicos extraordinários, a profissão ainda é desconhecida por grande parte da população.
O que faz um perfusionista?
O perfusionista opera a máquina de circulação extracorpórea, popularmente conhecida como máquina coração-pulmão em cirurgias cardíacas. Sua função é manter as funções vitais e a circulação sanguínea, garantindo a estabilidade fisiológica do paciente durante o procedimento.
Entre os indicadores monitorados estão oxigenação, temperatura, pressão, eletrólitos e equilíbrio ácido-base. O perfusionista também ajusta fluxos e a composição sanguínea, administra anticoagulantes e atua em situações de emergência. As responsabilidades vão além da sala de cirurgia, alcançando as Unidades de Terapia Intensiva Cardiovascular.
A profissão exige equilíbrio emocional e agilidade na tomada de decisões em ambientes de alta pressão.
“As pessoas me perguntam se o paciente fica vivo só com a máquina. A resposta é sim: durante o tempo em que o coração e os pulmões estão inativos para a cirurgia, a máquina assume a vida naquele momento. Sem o perfusionista, transplantes e cirurgias modernas simplesmente não existiriam”, explica o biomédico Bruno Alencar Herrera de Souza, mestre em Promoção da Saúde e um dos pioneiros da área no Paraná.
A importância da atuação do perfusionista
Com mais de 6 mil procedimentos no currículo, Souza, que também é membro do Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região, destaca que a responsabilidade é extrema.
“O perfusionista, junto aos cirurgiões, coordena o momento de parar o coração e gerencia cada necessidade metabólica do paciente enquanto os cirurgiões realizam reparos delicados”, conta.
O trabalho do perfusionista se destaca em:
- Segurança cirúrgica: Permite que cirurgias cardíacas e vasculares sejam realizadas com o coração parado e vazio, garantindo a proteção do coração inativo e a vida do paciente.
- Suporte em cirurgias de alto risco: Em alguns casos menos comuns, o perfusionista também é essencial em cirurgias pulmonares, hepáticas e transplantes de órgãos.
- Preservação de órgãos: Monitora a proteção miocárdica para evitar danos durante a interrupção da circulação ou do bypass cardiopulmonar.
Poucos profissionais para demanda vital
Apesar de sua importância vital na área da saúde, o número de perfusionistas é reduzido. Estima-se que existam entre 600 e 900 perfusionistas em todo o Brasil. No Paraná, esse número é ainda mais restrito: entre 30 e 50 profissionais atuam nos hospitais de referência.
A baixa visibilidade deve-se ao fato de o trabalho acontecer nos bastidores. No entanto, a exigência para entrar no setor é altíssima: além da graduação na área da saúde, é necessária especialização em Circulação Extracorpórea e Assistência Circulatória Mecânica, com no mínimo 1.200 horas e reconhecida pelo Ministério da Educação.
A formação é oferecida por centros formadores reconhecidos pelo MEC, universidades e pela Sociedade Brasileira de Circulação Extracorpórea.
Regulamentação e segurança do perfusionista
O CRBM6 atua no reconhecimento e na regularização do perfusionista no Paraná ao normatizar a habilitação em perfusão e circulação extracorpórea. O Conselho exige a comprovação de formação, conforme a Resolução 001/2019 do Conselho Federal de Biomedicina, e o registro desses profissionais, garantindo a segurança técnica e legal do biomédico perfusionista no Paraná.
“A perfusão é uma área que poucas pessoas veem, mas que transforma vidas todos os dias. Quando um coração precisa parar para ser tratado, é o perfusionista que mantém a vida acontecendo. Nosso trabalho exige precisão, ciência, calma e proatividade. É justamente por isso que a profissão merece ser mais conhecida e fortalecida”, complementa o biomédico Bruno Alencar Herrera de Souza.



