Embora o senso comum associe infecções respiratórias exclusivamente ao inverno, o verão também apresenta alta circulação de vírus como influenza, Covid-19, adenovírus e outros agentes respiratórios. O aumento das viagens, das confraternizações, da permanência em ambientes climatizados e das aglomerações típicas da estação favorece a transmissão, independentemente da temperatura.

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De acordo com o responsável técnico e especialista em bacteriologia do LANAC – Laboratório de Análises Clínicas, Marcos Kozlowski, o comportamento social tem peso decisivo na disseminação desses vírus, enquanto a imunidade da população pode oscilar ao longo do ano, especialmente após períodos de maior exposição coletiva.

Já a especialista em vacinação da Clínica Vacinne, Elisa Lino, destaca que a redução gradual da proteção imunológica torna essencial a manutenção do calendário vacinal atualizado, inclusive fora das campanhas tradicionais, como forma de evitar quadros graves, hospitalizações e a sobrecarga do sistema de saúde.

A seguir, especialistas esclarecem mitos e verdades sobre infecções respiratórias no verão, com base em evidências científicas, dados epidemiológicos e na prática clínica.

Top 10 mitos e verdades sobre infecções respiratórias no verão

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No calor, os vírus morrem e não circulam – MITO

A transmissão está mais ligada ao convívio social, aglomerações, viagens e mbientes fechados do que à temperatura.

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Ar-condicionado favorece a disseminação de vírus – VERDADE

Ambientes climatizados costumam ter pouca renovação de ar, o que facilita a permanência de gotículas e aerossóis.

Se é verão, os sintomas são apenas alergia – MITO

Sintomas respiratórios podem se confundir; a testagem é fundamental para diferenciar alergias de infecções virais.

Viroses respiratórias podem causar quadros intensos fora do inverno – VERDADE

Influenza e Covid-19 podem provocar febre, mal-estar e complicações em qualquer época do ano.

Só é necessário testar quando há febre alta – MITO

Mesmo sintomas leves justificam investigação, especialmente em grupos de risco ou antes de viagens e encontros familiares.

Vacinação atualizada reduz formas graves mesmo no verão – VERDADE

A proteção diminui com o tempo; reforços vacinais ajudam a evitar complicações e internações.

Quem já teve gripe ou Covid não precisa se vacinar – MITO

A infecção prévia não substitui a vacina nem protege contra novas variantes.

Crianças, idosos e gestantes têm maior risco de complicações – VERDADE

Esses grupos devem buscar avaliação médica e testagem logo nos primeiros sintomas.

Vitaminas e produtos naturais impedem gripes e viroses – MITO

Podem auxiliar a saúde geral, mas não substituem vacinas, testagem e medidas de prevenção.

Hidratação e descanso aceleram a recuperação – VERDADE

Essas medidas ajudam a reduzir sintomas e auxiliam a resposta do organismo.

Informação qualificada, vacinação em dia e mais!

Foto: Colaboração/Valterci Santos

Além da vacinação e das medidas de prevenção, o diagnóstico correto é fundamental para o manejo adequado das infecções respiratórias no verão. Testes laboratoriais — como exames moleculares, testes rápidos e exames de sangue — auxiliam na identificação do agente infeccioso, na avaliação da resposta inflamatória do organismo e no monitoramento da gravidade do quadro, especialmente em crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

“A combinação entre informação qualificada, vacinação em dia e acompanhamento laboratorial permite intervenções mais precoces, reduz a transmissão e contribui para um verão mais seguro para toda a população”, finaliza Kozlowski.

Segundo ela, no verão, é muito comum que sintomas como febre, dor no corpo, cansaço e mal-estar sejam atribuídos automaticamente à dengue ou a uma virose leve, quando na verdade podem estar relacionados a infecções respiratórias como Covid-19 ou influenza. “Como essas doenças compartilham manifestações clínicas semelhantes, apenas exames laboratoriais permitem diferenciar com precisão o agente causador e orientar a conduta adequada, evitando atrasos no diagnóstico e na contenção da transmissão”, finalizou.

Segundo Elisa Lino, especialista em vacinação da Clínica Vacinne, a semelhança entre os sintomas da dengue, da Covid-19 e da H1N1 faz com que muitas pessoas subestimem o quadro e adiem a busca por atendimento ou vacinação. “Esse atraso pode favorecer a evolução para formas mais graves, especialmente em grupos de risco. A vacinação em dia continua sendo uma estratégia essencial para reduzir complicações, mesmo em períodos do ano em que a população não associa esses sintomas a infecções virais relevantes”, disse a especialista.