Saúde

Diálise pode não melhorar vida de idosos com falência renal

Imagem mostra um paciente realizando um procedimento de hemodiálise.
O suporte de equipes multidisciplinares durante o tratamento hemodialítico oferece maior segurança ao paciente, auxiliando na adaptação da rotina e na melhoria da qualidade de vida. Foto: Depositphotos.

Idosos com falência renal e múltiplas condições de saúde podem ter qualidade e tempo de vida semelhantes com ou sem diálise. A conclusão é de um estudo randomizado inédito liderado pela Universidade de Bristol, no Reino Unido, que acompanhou 445 pacientes de 31 centros de nefrologia britânicos durante uma média de 4,5 anos. A pesquisa sugere que um programa estruturado de cuidados conservadores, sem diálise, pode ser uma alternativa viável para esse grupo específico de pacientes. As informações são da agência internacional de notícias HealthDay.

O estudo Prepare for Kidney Care, publicado no periódico científico The Lancet, dividiu os participantes em dois grupos: um preparado para iniciar diálise e outro para receber manejo conservador dos rins. Cerca de 75% dos voluntários tinham 80 anos ou mais, e os demais, entre 65 e 79 anos, apresentavam problemas adicionais de saúde ou fragilidade.

Ao longo do acompanhamento, nenhuma das abordagens resultou em melhores desfechos quando qualidade e tempo de vida foram considerados em conjunto. Apenas um em cada quatro pacientes do grupo preparado para diálise chegou a iniciar o tratamento. A maioria dos participantes de ambos os grupos morreu por outras causas antes de necessitar diálise, refletindo a vulnerabilidade e a complexidade das condições de saúde dessa população.

Fergus Caskey, professor de medicina renal na Universidade de Bristol e líder do projeto, afirmou que os achados podem ter implicações globais sobre como a falência renal é discutida e tratada em pacientes idosos com múltiplas condições de saúde. Segundo ele, o manejo conservador dos rins é um tratamento ativo que não inclui diálise e vem sendo cada vez mais reconhecido no mundo, mas até agora faltavam evidências robustas para comparar as duas abordagens.

Os resultados não se aplicam a pessoas que já recebem diálise nem a pacientes mais jovens e saudáveis, para quem a diálise e o transplante continuam sendo o tratamento padrão. A diálise pode representar uma carga considerável para pacientes e famílias, exigindo deslocamentos frequentes, tratamentos regulares e procedimentos médicos, além de carregar risco de complicações. Os custos estimados são de cerca de 35 mil libras por paciente ao ano no sistema de saúde britânico.

A equipe de pesquisa recomenda que órgãos de saúde do Reino Unido utilizem os achados para apoiar diretrizes que apresentem ambas as abordagens como opções igualmente válidas, com decisões tomadas em conjunto por pacientes e equipes de saúde.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google