Com apenas 10 anos e 33 kg, a pequena Julia Assunção, de São Luís (MA), vem fazendo sucesso nas redes sociais como uma jovem crossfiteira “sem limites“. O vídeo em que aparece levantando 39 kg, mais que seu peso corporal, já surpreendeu mais de 8 milhões de pessoas nas redes sociais e, se depender dela, o futuro ainda terá muitas marcas a serem vencidas.

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A garota pratica atividades físicas desde os 2 anos e meio. Começou no jiu-jitsu, emendou na natação, chegou a fazer treino funcional “kids” até que conheceu o crossfit aos 5 anos de idade por intermédio de sua tia, que é professora de educação física.

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“Ela ama treinar, só falta em último caso”, conta a mãe Erica Silva, 40. Ela conta que, desde que nasceu, Julia tem o mesmo acompanhamento pediátrico e, atualmente, conta também com fisioterapeuta e nutricionista. “Acompanham de perto”, garante.

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Em um dos vídeos mais famosos da filha, ela aparece carregando peso maior do que o seu corpo com o apoio da tia e treinadora. O conteúdo publicado em 29 de setembro conta, até o momento, com 8,7 milhões de visualizações e mais de 780 mil curtidas.

“Eu não carrego nem 20 kg”, comenta um seguidor. “Me humilhou de 500 formas”, completa outro.

Crianças podem treinar?

“A resposta é simples. Sim, é possível fazer esses treinos, contanto que de maneira supervisionada e adequada – e realizar treinos resistivos não tem impacto no crescimento”, afirma Pedro Henrique Tsuyoshi Yamaoka, pediatra em especialização em medicina do adolescente.

Ele ressalta que crianças antes da puberdade ganham força muscular às custas de memória neuromuscular e que, antes da puberdade, normalmente não há hipertrofia muscular, ou seja, o aumento dos músculos e das fibras constitutivas. “Então, pode existir uma desproporção do peso real da pessoa e a força que ela exerce.

Segundo ele, a princípio, é preciso respeitar o cronograma de treinos, já que as evidências de lesões são relacionadas ao excesso de treinos e falta de descanso. “Se o treino for supervisionado, o limite do peso quem define são limites pessoais de cada um”, pontua. O médico também alerta para os riscos de exercício, explicando que “se realizado de maneira intempestiva, sem preparo adequado e supervisão especializada, a atividade física pode resultar em lesões na criança, de qualquer idade”.

Os cuidados necessários que os pais devem ficar atentos caso seus filhos pratiquem exercícios intensos incluem nutrição — incluindo suprir as necessidades diárias de proteína, cálcio, entre outros — e a moderação da evolução dos treinos. “Só lembrar que quanto mais atividade física, maiores as necessidades calóricas e proteicas”.

Com o crescimento de crianças nessa idade, o médico explica que “o corpo cresce primeiro, depois a musculatura”, o que pode levar a lesões se desrespeitados os limites de aumento de carga nos treinos. “Os exercícios resistivos têm que ser estimulados para a boa formação dos ossos. Então, ela precisa de exercícios com carga. De maneira geral, orienta-se que respeite cerca de 20% da carga máxima [no aumento de intensidade] — e cada um vai ter uma carga máxima diferente a depender do estágio de treino”.

Rotina de profissional

Julia treina de segunda a sexta. Aos sábados, quando está perto de alguma competição, os treinos ficam mais específicos. Antes, treinava somente com as crianças, mas agora ela também pratica com os adultos. Isso porque ela também compete. Recentemente, por exemplo, participou de uma disputa de crossfit em São Luis com adultos e já participou de campeonatos de levantamento de peso olímpico.

O educador físico pós-graduado em treinamento de força da saúde ao alto rendimento Danilo Luís Zacarias da Silva afirma que, por volta dos 3 anos, é possível introduzir a criança ao crossfit. Já em outros esportes como a natação, o início pode ser mais cedo, já com alguns meses.

O profissional afirma que, como Assunção treina com auxílio e supervisão, é difícil que haja lesão. “Ela treinou a técnica e a base do movimento e aí foi colocando carga para aprimorar ainda mais o exercício, então está correto. Quanto mais carga, melhor. Assim, ela fica mais forte e saudável”.

De acordo com a mãe, Julia tem uma alimentação sem nenhuma restrição. Geralmente os treinos são à noite e duram cerca de uma hora, então ela lancha frutas ou sanduíches.

“Logo após o treino, ela janta normalmente. As refeições dela são preparadas por mim. Não toma refrigerante por opção, nem come nenhum tipo de embutido, iogurtes ou achocolatados. Ela nunca gostou. Então, tem uma alimentação bem saudável”, conta.

Erica conta que sua filha ama andar de skate e bicicleta e que já tem ideias de profissionalização no futuro. “A primeira opção é ser atleta profissional de crossfit, a segunda opção é ser chef de cozinha, a terceira, médica do esporte”.