Uma ferramenta simples, baseada em cinco fatores do dia a dia, pode identificar idosos com maior risco de desenvolver demência em países de baixa e média renda — onde vivem cerca de 60% das pessoas com a doença no mundo. O modelo foi desenvolvido por uma equipe internacional liderada pela Universidade de Northumbria, no Reino Unido, e validado com dados de mais de 11 mil idosos de sete países da América Latina, Caribe e Ásia. As informações são da Northumbria University.

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A novidade preenche uma lacuna importante: quase todas as ferramentas usadas hoje para prever demência foram criadas com base em populações de países ricos e não funcionam bem em outras realidades. O novo modelo, publicado no American Journal of Epidemiology, não exige exames de sangue, ressonância magnética ou equipamentos especializados. Basta uma conversa com o idoso e, quando necessário, com um familiar ou cuidador.

Os cinco fatores avaliados são idade, engajamento social, atividade física, pressão alta não controlada e dificuldade para lidar com dinheiro. Cada um soma pontos em uma escala de 0 a 9. Quem pontua 0 tem cerca de 1% de chance de desenvolver demência em três anos. Quem atinge 9 pontos tem quase 19% de risco no mesmo período.

A idade é o fator mais forte. O risco aumenta a partir dos 70 anos e sobe de forma mais acentuada após os 80. O engajamento social leva em conta se a pessoa é casada, mora com alguém, vê amigos ou familiares com frequência e participa de grupos comunitários ou religiosos. Já a atividade física considera o movimento do dia a dia, incluindo trabalho no campo, caminhadas até o mercado ou tarefas domésticas.

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A pressão alta não controlada danifica os vasos sanguíneos que irrigam o cérebro ao longo do tempo. É comum, frequentemente não diagnosticada em ambientes de menor renda e pode ser tratada com baixo custo. A dificuldade para administrar dinheiro é avaliada por um familiar ou cuidador, que relata se houve mudança perceptível na capacidade da pessoa de lidar com finanças — um dos primeiros sinais de alteração cognitiva no cotidiano.

O modelo foi construído e testado em sete locais: China, Cuba, República Dominicana, Porto Rico, Venezuela, México e Peru. Atingiu uma pontuação de precisão de 0,75, acima do limite de 0,70 geralmente considerado útil na prática clínica. A demência afeta mais de 57 milhões de pessoas no mundo, e cerca de 60% delas vivem em países de baixa e média renda na América Latina, Caribe, Ásia e África.

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Os pesquisadores ressaltam que a ferramenta foi desenhada para uso em pesquisas, oferecendo uma forma prática e de baixo custo para identificar e recrutar pessoas com maior risco de demência em estudos e ensaios clínicos. Não se trata de um teste de triagem para uso rotineiro na população geral. A equipe também pede que o modelo seja validado em regiões ainda não cobertas pelo estudo, especialmente no sul da Ásia, Oriente Médio, norte da África e África Subsaariana.