Saúde

Adesivo inteligente mede metabolismo pelo suor e dispensa furadas em exames de sangue

Imagem mostra uma médica orientando uma paciente e fazendo orientações.
O registro detalhado de sintomas e histórico clínico é essencial para estruturar o plano terapêutico e garantir a segurança do atendimento. Foto: PIxabay/Chokniti Khongchum

Dois estudantes de engenharia elétrica da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha, desenvolveram um sistema de sensor vestível capaz de monitorar diversos parâmetros metabólicos de forma contínua, sem necessidade de coleta de sangue ou procedimentos invasivos. O projeto VitaMetis, criado por Abdulmohaimen Algamoudi, de 27 anos, e Abdullah Osman Gwela, de 28, conquistou uma vaga na competição nacional alemã COSIMA e foi apresentado na feira internacional de eletrônica electronica, em Munique, nos dias 12 e 13 de novembro, segundo informações da University of Duisburg-Essen.

O dispositivo funciona por meio de um pequeno adesivo sensor aplicado sobre a pele, que mede continuamente diferentes substâncias metabólicas presentes no suor. A tecnologia utiliza um método óptico baseado em nanotubos de carbono — estruturas microscópicas que permitem detectar compostos específicos e determinar suas concentrações. Um scanner portátil lê os dados do adesivo sem perfurar a pele ou coletar amostras de sangue.

A tecnologia de sensores com nanotubos de carbono foi desenvolvida até o estágio de aplicação prática pelo Instituto Fraunhofer para Circuitos e Sistemas Microeletrônicos, em Duisburg. Os estudantes apresentaram um protótipo funcional na feira de Munique.

Substâncias como ureia, vitaminas e até hormônios poderiam ser monitoradas com a mesma facilidade com que relógios inteligentes acompanham batimentos cardíacos ou movimentos, segundo a visão dos criadores. “Onde o corpo fala e a tecnologia escuta” é o conceito central do VitaMetis, projeto no qual os dois trabalham há mais de um ano.

Aplicações em diferentes públicos

Embora ainda distante do mercado, o VitaMetis tem como objetivo beneficiar uma ampla gama de pessoas, desde indivíduos saudáveis e atletas até gestantes e pacientes com doenças renais. “Queremos desenvolver uma tecnologia que beneficie o maior número possível de pessoas”, afirma Abdulmohaimen Algamoudi.

Abdullah Osman Gwela destaca que o sistema pode fazer diferença especialmente em países com acesso limitado a serviços de saúde. “Em locais como a Líbia, de onde viemos, um sensor vestível como o VitaMetis poderia ter um impacto real”, diz.

Apoio institucional e competição internacional

Os estudantes já conseguiram patrocinadores para viabilizar a ideia e recebem apoio da universidade e do professor Karsten Seidl, do grupo de pesquisa em Dispositivos e Circuitos Eletrônicos. A competição COSIMA, organizada pela Associação Alemã de Tecnologias Elétricas, Eletrônicas e de Informação, é voltada a equipes estudantis que desenvolvem aplicações inovadoras em tecnologia de microssistemas. As três primeiras equipes ganham a oportunidade de se qualificar para uma competição internacional.

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