Não foi mulher, mas sim um música que provocou a fuzilaria que deixou seis pessoas feridas na madrugada de segunda-feira, em um bar no Boqueirão. Depois de receber atendimento médico, as vítimas contaram à reportagem da Tribuna como foram os 30 segundos cruciais que por pouco não resultaram em chacina.

Na noite de segunda-feira 11 amigos saíram do trabalho e foram até o Ellu’s Bar, situado na Rua Estanislau Trzebiatowski, para comemorar o aniversário de um deles. Por volta das 4h, um dos rapazes foi até a mesa, próximo ao palco, entregar o pedido de uma música que iria cantar no karaokê. "Eu achei que os três homens estavam responsáveis pelo comando das músicas, mas eram apenas clientes do bar e não gostaram da minha atitude. Houve um desentendimento e eu voltei para minha mesa", contou uma das vítimas. Para evitar confusão, os amigos pagaram uma cerveja e pediram para o garçom entregá-la ao trio. "Eles vieram em nossa direção e disseram que não tomavam cerveja. Pediram desculpas pelo inconveniente e foram embora", contou o jovem, que escapou ileso aos disparos.

Percebendo a confusão, o dono do bar chamou o grupo e disse que os rapazes eram "gente boa", mas perigosos.

Cerca de 15 minutos depois de deixar o estabelecimento, o trio retornou, armado de dois revólveres calibre 38 e uma pistola. Os amigos estavam reunidos em mesas em um canto do bar, quando os marginais abriram fogo. "Durante 30 segundos eles descarregaram as armas e fugiram, deixando o bar lavado de sangue", contou um dos rapazes, baleado na mão. Dos 11 amigos, seis foram baleados e levados em viaturas da Polícia Militar ao Hospital do Trabalhador. Apenas uma das vítimas continua internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva – André Maurício de Oliveira da Silva, 20 anos, baleado no peito. "Eles atiraram por nada e só não nos mataram porque uma das armas falhou e eles ficaram nervosos. Nunca os vimos antes, mas o dono do bar sabe quem eles são."