Foto: Anderson Tozato
Diego Vanello, 20 anos, foi assassinado com quatro tiros por volta das 22h da última sexta-feira.

Enquanto Almerinda José da Silva rezava junto com o filho de 12 anos, pedindo para tirar seu filho mais velho das drogas, Diego Vanello, conhecido como ?Dieguinho?, 20 anos, foi executado com quatro tiros na cabeça, às 22h da última sexta-feira, na Rua Pérola Negra, Vila Barigüi, Cidade Industrial de Curitiba. Ele morreu segurando uma pedra de crack. Viciado em drogas há seis anos, o rapaz chegou a pedir para sua mãe para interná-lo e ajudá-lo a largar o vício.

No mesmo dia, ?Dieguinho? tinha furtado da própria mãe um ventilador e um aquecedor para trocar por pedras de crack.

Na tentativa de ajudar o filho a largar o vício, Almerinda procurou a Unidade de Saúde do bairro e na quinta-feira conseguiu uma vaga para interná-lo. ?Ele já foi internado quatro vezes. Queria se tratar. Só que não no hospital onde conseguiram a vaga, porque lá tinha muita gente?, relatou a mulher. Outra tentativa de retirar Diego das drogas foi denunciá-lo à polícia. ?Se prendessem, na cadeia não ia usar drogas. Esse crack só tem dois caminhos: a cadeia e o cemitério. Infelizmente meu filho foi para o pior?, comentou Almerinda.

Ela disse que ?Dieguinho? retirava objetos e até roupas de sua casa, para vender e trocar por droga. ?Eu paguei R$ 35,00 numa blusa e ele vendeu por R$ 2,00. Às vezes eu conseguia recuperar, outras não. Cheguei a procurar a polícia para denunciá-lo, mas falaram que roubar a mãe não é crime?. Almerinda desconfia que o filho já estava furtando objetos de outras pessoas. ?Ele me contou que roubou uma bicicleta para pagar parte de uma dívida de drogas. Estava devendo R$ 100,00 para os traficantes, mas nem sei quem são?.

A mulher disse que deixou sua casa, na manhã de sexta-feira, para trabalhar e deixou o ?Dieguinho? dormindo, sem saber que não iria mais vê-lo com vida. Ainda pela manhã, recebeu um telefonema do filho menor, avisando que ?Dieguinho? saiu, levando o aquecedor e o ventilador para trocar por drogas. ?Teve um fim agora. Não sei se Deus quer a morte de alguém, mas o sofrimento acabou?, disse. Ela lamentou que o filho era uma excelente pessoa quando estava sã. ?Ele chegava a pedir desculpas. E quando estava drogado, eu batia nele, mas nunca me agrediu?, recorda. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios.