O travesti encontrado morto na noite de segunda-feira, na Estrada do Campo Grande, localidade de Tranqueira, em Almirante Tamandaré, foi identificado ontem, no necrotério do Instituto Médico-Legal. Trata-se de Marcílio do Rocio Carvalho Pedro, 27 anos, que usava o nome Andréa Valeska Norberto de Castro e tinha o apelido de "Kelly Key".
Familiares informaram à polícia que Marcílio morava no porão da casa de seus pais, no bairro São Brás, e começou a se vestir e se comportar como mulher aos 16 anos. Devido ao preconceito que sofria da vizinhança, por ser homossexual assumido, Marcílio resolveu se mudar do local há quatro anos, deixando de manter contato com familiares. "Outro fato que o levou a sair de casa é que Marcílio tentou colocar fogo no próprio quarto. Isto gerou um registro de ocorrência no 12.º Distrito. O rapaz tinha problemas de desvio de caráter emocional", relatou o delegado Maurílio Alves, da Delegacia de Homicídios.
No ano passado, a mãe do travesti viu o jovem em Almirante Tamandaré, mas não chegaram a conversar. Parentes revelaram à polícia que viram a fotografia do travesti divulgada na Tribuna e se dirigiram ao Instituto Médico-Legal (IML), para fazer o reconhecimento. Depois, eles foram à Delegacia de Homicídios, onde prestaram depoimento.
Investigações
Maurílio informou que a causa da morte ainda não foi determinada pelo IML. "Sabemos que não há sinais de tiros ou de instrumentos perfurantes ou contundentes. Devido ao adiantado estado de decomposição é difícil saber como a vítima foi morta", salientou o delegado. Ele disse que o travesti estava desaparecido desde o dia 17 de junho. "O Marcílio chegou a ligar para a Cravi, onde prestava serviços voluntários. Já mantivemos contato com a associação, que informou que ele era usuário de drogas, mas já havia deixado o vício", contou o policial.
O delegado disse que nos próximos dias irá ouvir funcionários da entidade, que poderão fornecer novas informações para ajudar nas investigações.
Mulheres
Maurílio explicou que no início a polícia acreditava que a desova teria ligações com as mortes de mulheres em Almirante Tamandaré, entre 1999 e 2002. "Esta hipótese já está completamente descartada. Primeiro porque não se trata de uma mulher. Depois porque nenhum indício leva a esta possibilidade", afirmou. Segundo o delegado, as investigações serão realizadas pela Delegacia de Homicídios até ser identificado o autor do crime.


