Fotos: Alberto Melnechuky
Família assistia à televisão.

Uma ação trabalhista pode ter sido o motivo do triplo homicídio, ocorrido na noite de quinta-feira, no Uberaba. Débora Priscila dos Santos, 26 anos, Jocelito Alencar Machado,37, e o filho deles Nicolas Vinícius Santos, de apenas 2 anos, foram mortos com vários tiros de pistola, na Rua Francisco Timóteo de Simas. Dois homens foram presos e a polícia continua investigando o motivo da matança.

O casal e a criança estavam na sala da residência assistindo TV, enquando a mãe de Débora, Lindamir Lopes dos Santos, dormia no quarto. Ela contou que, por volta de meia-noite, ouviu a criança chorando desesperadamente.

A principio, não achou nada estranho. Também contou que ouviu tiros, mas como a TV estava ligada com o volume bem alto, achou que fosse algum filme. ?Levantei nervosa para pedir que eles abaixassem o volume da televisão. Quando cheguei na cozinha vi Jocelito caído, procurei meu neto e não o encontrei, mas ainda conseguia ouvir seu choro?, explicou Lindamir.

Em seguida, a avó encontrou o bebê baleado no pátio do vizinho. ?Eu vi que ele ainda estava vivo, peguei-o no colo e corri para a rua, ainda tentei tampar os buracos das balas com os dedos, para evitar que ele perdesse muito sangue, mas não tinha jeito?, contou. Nicolas ainda foi atendido pelo Siate, mas morreu dentro da ambulância.

Invasão

Jocelito foi fuzilado a tiros de pistola.

Dois homens invadiram a casa e deram início à fuzilaria. Débora pegou a criança do chão e tentou fugir pulando a janela. Depois de acertarem quatro tiros em Jocelito, que ficou caído entre a cozinha e o banheiro, os assassinos atiraram sete vezes contra ela. Três tiros transfixiaram o corpo da mulher e acertaram as costas do menino ainda suspenso pelos braços da mãe. Os dois ficaram caídos no terreno da casa ao lado. Os vizinhos contaram que os bandidos estavam em três. Dois entraram na casa e outro ficou esperando na rua, em uma Variant branca.

Lindamir contou que Jocelito e Débora estavam juntos há pouco mais de um ano e que a única confusão em que estavam metidos era uma sociedade mal-feita, em uma casa de prostituição, em São José dos Pinhais. ?Ele era porteiro e ela trabalhava no balcão da boate, não sei exatamente o que fazia. Eu sei que eles tinham um dinheiro para receber e entraram com uma ação contra um tal de ?Carlão??, contou a mulher. De acordo o que Débora contou, naquela tarde, a sua mãe, o casal era ameaçado e ?Carlão?, a toda hora dizia ?que isso não ia ficar assim?.

O investigador Dias, da Delegacia de Homicídios (DH), relatou que o motivo da morte não está bem explicado. ?Nada justifica a morte, mas matar três pessoas dessa forma por causa de uma ação trabalhista é muita banalidade?, avaliou. Segundo ele, todas as hipóteses serão investigadas, inclusive se existem outros agravantes que possam ter motivado o crime.

Boate nega qualquer envolvimento

Clewerson Bregenski

Algumas horas depois do assassinato da família, policiais militares foram até a boate onde o casal tinha trabalhado, no bairro Afonso Pena, em São José dos Pinhais. No escritório do estabelecimento, foram apreendidas duas armas, sem registro, o que rendeu detenção ao sócio e ao porteiro da boate.

O proprietário da boate, José Carlos Noreto, 28 anos, confirmou que Jocelito e Débora trabalharam na casa e que o homem foi despedido porque bebia demais. Com a demissão dele, que era porteiro, Débora também se afastou do trabalho. Noreto disse ter conhecimento da ação trabalhista contra a boate, mas que nunca foram feitas ameaças ao casal. ?Essa suspeita não faz sentido. Fiquei sabendo da morte deles posteriormente?, afirmou. Sobre as armas, Noreto explicou que elas pertenciam a clientes que freqüentavam a casa e, para não permanecerem no estabelecimento armados, foram obrigados a deixá-las no escritório. Com a chegada da PM, os proprietários dos revólveres saíram sem resgatá-los.

O porteiro detido e Norato foram conduzidos pela PM à delegacia de São José dos Pinhais. De acordo com o chefe de investigação, Altair Ferreira, os dois foram autuados pela posse das armas. As informações obtidas com os detidos serão repassadas à Delegacia de Homicídios.