Quando se compra um carro, o que se pensa é ter mobilidade. Porém, não é o que ocorre com um morador de Colombo. Desde o mês passado, quando comprou um Citroën C3, o supervisor de telecomunicações Leandro Henrique Scheidt, 37 anos, tem receio de usar o veículo, porque as placas foram clonadas.

Segundo Leandro, a Polícia Militar já foi três vezes na casa dele porque bandidos fizeram assaltos em Santa Felicidade, em Curitiba, e o endereço do veículo usado pelos assaltantes é o de Leandro. A diferença, é que a placa clonada é de Curitiba e o carro de Leandro tem placas de Colombo.

A família comprou o veículo em 27 de dezembro. “Era para ser o segundo carro da família, para uso da minha esposa. A primeira vez que usamos foi para ir à praia e, na volta, já encontramos a PM em casa”, contou.

Os policiais disseram que bandidos teriam fugido com um carro, com mesmas placas, depois de um assalto a um comércio. “Desde então, praticamente perdi o direito de usar o carro”, comentou o supervisor de telecomunicações.

Os policiais saíram da casa de Leandro sem fazer o registro da clonagem da placa. “Não me entregaram nenhum boletim de ocorrência”, explicou. Em 12 de janeiro, a PM bateu pela segunda na casa da família e, de novo, Leandro teve que explicar o que estava acontecendo.
Os policiais informaram a Leandro que ele deveria ir até a delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, e registrar a queixa. “Na delegacia o policial se recusou a fazer o boletim e disse que a Polícia Militar deveria ter registrado a ocorrência”, contou. Leandro chamou a PM e, na frente da delegacia, os policiais militares registraram o pedido de Leandro. “Depois disso, me disseram que era para ficarmos tranquilos, porque o sistema é unificado e o alerta seria feito”.

No começo da noite de quinta-feira da semana passada, quando chegou em casa, Leandro foi surpreendido pelo vizinho, que contou que policiais militares à paisana estiveram na residência da família. “Eles pediram por mim e como eu não estava, o vizinho mesmo contou o que está acontecendo e os policiais foram embora”, explicou Leandro.

Medo

A vítima teme que seu Citroën seja alvo de tiros em abordagem policial, por seu carro ser confundido com o de bandidos. Essa é uma das hipóteses para o início do suposto confronto ocorrido em junho do ano passado, na Barreirinha, em que um rapaz foi morto e outro ficou ferido. Essa ocorrência ainda está em investigação.

Começam as multas

Como se não bastasse o medo de sair de casa com carro por ter as placas do veículo clonadas, Leandro levou mais um susto ao entrar no sistema eletrônico do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) e descobrir que os bandidos levaram uma multa com a placa de seu automóvel.

“A notificação, de R$ 85, é por excesso de velocidade em uma lombada na Cidade Industrial, local onde nós jamais passamos com o nosso carro. Agora, além de termos o carro clonado, vamos ter a dor de cabeça com multas que não têm nada a ver com a gente”, reclamou Leandro.

Ao ligar para o Detran para saber o que deveria fazer, foi orientado a procurar a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), em Curitiba, para registrar, mais uma vez, o problema. A mesma informação foi dada pelo delegado-titular da DFRV, Cassiano Aufiero (foto), que aguarda o registro para começar as investigações.