Promotor Pedro Assinger
ouviu os presos agredidos.

Denúncia de tortura contra dois presos levou a Promotoria de Investigação Criminal (PIC) a averiguar a situação na Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, no final da tarde de ontem. De acordo com o promotor Pedro Carvalho Santos Assinger, que ouviu os presos Oscar Moreira e Alexandre Berlanda Viana, realmente há indícios de tortura, mas isso somente poderá ser comprovado com o resultado do laudo de exame de lesões corporais realizado no Instituto Médico-Legal. À noite, os presos foram levados para prestar depoimento na Corregedoria da Polícia Civil, formalizando a denúncia. Por medida de segurança, eles foram transferidos para o Centro de Observação Criminológica e Triagem (COT) onde passaram a noite. Para hoje está previsto o reconhecimento dos agressores. Seis policiais (cujos nomes não foram citados) são acusados de ter participado das agressões e torturas.

Pancadas

Na manhã de ontem a advogada Claudia Rodrigues Pereira compareceu na PIC e denunciou a tortura sofrida pelos seus clientes. Conforme os presos, logo após a prisão em flagrante, foram levados para uma sala da Delegacia de Estelionato e teve início sessão de espancamento e choques elétricos. A tortura durou a noite toda. De acordo com o promotor da PIC, os detidos apresentam lesões nas costas e peito (proveniente de tapas) e a língua de um deles (Oscar) está bastante machucada. Segundo a denúncia, na língua que os polícias aplicaram choques elétricos. “Eles contaram que foram agredidos para confessar a participação no crime pelo qual foram presos”, explicou Assinger. Pelo que consta, apenas Oscar assumiu a culpa, inocentando o parceiro. A declaração não teria agradado aos policiais, que torturaram Oscar com mais veemência, para que ele voltasse atrás e denunciasse também a participação de Alexandre, de acordo com a PIC.

Prisão

Oscar e Alexandre teriam sido presos na noite de terça-feira na Praça da Ucrânia, Bigorrilho, acusados de falsificação de dinheiro. Essa informação não foi confirmada, pois a reportagem não teve acesso ao flagrante efetuado pela polícia. O promotor também não entrou em detalhes sobre a prisão dos acusados mas, aparentemente, ela ocorreu de forma legal com lavratura de flagrante.

Segundo os advogados dos detidos, Oscar possui um mandado de prisão preventiva expedido por participação em crime organizado. Alexandre não tem antecedentes criminais.

O inquérito contra os policiais será instaurado pela Corregedoria da Polícia Civil e contará com o acompanhamento do Ministério público. Caso seja comprovada a participação de policiais na tortura, eles podem ser afastados da função e expulsos da polícia. Somente após o reconhecimento é que a Corregedoria deverá determinar punições contra os possíveis envolvidos.

A delegacia manteve suas portas fechadas e não permitiu o acesso da imprensa, durante a apuração dos fatos. O delegado titular, Roberto Heusi, deverá se manifestar hoje sobre o assunto.