Portos Casela / GPP
Portos Casela / GPP

Maria da Silva, comadre da mãe da
menina, e seu namorado Valdecir
da Silva, eram o sequestradores.

Após dois dias de sofrimento e angústia, finalmente os pais de Karina Madej, 5 anos, puderam reencontrá-la. Ela foi localizada brincado em um sítio na região de Serrinho, distrito de Quitandinha, distante cerca de 100 quilômetros de Curitiba. O cativeiro foi estourado às 8h30 de sábado por policiais do Grupo Tigre, especializado nesse tipo de ação. Maria Rita Ferreira da Silva, 33 anos, comadre da mãe da menina, e o namorado Valdecir da Silva, 23, responsáveis pelo seqüestro, foram presos. O resgate não foi pago.

Os seqüestradores entraram duas vezes em contato com a família da garotinha pedindo R$ 300 mil pelo resgate – caso a quantia não fosse paga, os pais nunca mais veriam Karina. Os telefonemas ameaçadores foram dados por Valdecir, que não era conhecido da família da criança. O primeiro contato ocorreu às 19h30 de quinta-feira, quase doze horas depois do início do seqüestro.

Segundo o delegado Riad Farhat a idéia de seqüestrar Karina surgiu após Maria Rita ouvir que os avôs da criança haviam comercializado dois caminhões e possuíam dinheiro. "Maria Rita tinha conhecimento da venda dos caminhões, mais ou menos no valor do resgate, porque freqüentava a casa", explicou. Diante da informação, ela e seu namorado planejaram o crime.

A proximidade entre vítima e seqüestradora causou uma corrida frenética, por parte dos policiais, para a localização do cativeiro. "Acredito que a criança, por ser bem conhecida da seqüestradora, seria morta, depois que o casal pusesse a mão no dinheiro. Ela (Maria) não teria outra alternativa senão matar a criança. Caso contrário seria reconhecida", afirmou Riad.

Seqüestro

Na manhã de quinta-feira, Andréia Magali Madej e sua filha foram abordadas por um homem armado, ao abrir a garagem da casa, situada na Rua Quintino Bocaiúva, em Campo Largo. A mãe tinha a intenção de deixar a garotinha na casa da tia. Armado com um revólver, calibre 32, o marginal obrigou as duas a entrar no Monza, pertencente à família, e dar a partida. Os três transitaram por algumas quadras e, na localidade da Granja, Andréia foi obrigada a sair do carro, deixando sua filha nãos mãos do desconhecido. "Tentei convencê-lo a deixar minha filha e não consegui. Pensei, inclusive, em tentar pegar a arma dele, mas mantive a calma e não fiz nenhuma besteira", relatou a mãe.

O Monza foi abandonado no bairro Ferraria, ainda em Campo Largo. Para completar a fuga, o seqüestrador roubou um segundo veículo, o Corsa, placa GUQ-6291. Em seguida, Valdecir foi ao encontro da namorada (Maria Rita) e seguiu até o sítio, em Quitandinha, de propriedade de seu pai.

Através de investigações, cujo procedimento não foi revelado pelo delegado, na manhã de sábado, os policiais acharam o local do cativeiro e encontraram Karina brincando. A vítima não sofreu maus tratos. "A criança andou a cavalo e brincou. Foi como se ela estivesse passando alguns dias na companhia de uma tia", comparou Riad.

Os pais, Andréia e João Afonso Madej, acreditam que diante desse "clima de familiaridade" vivida por Karina, durante os dias de seqüestro, ela não deve desenvolver nenhum tipo de trauma.

Valdecir e Maria Rita vão responder por extorsão mediante seqüestro, crime hediondo, cuja pena prevista varia entre 12 e 30 anos de reclusão.

Surpresos ao saber quem eram os seqüestradores

A sensação de alívio pelo término do seqüestro de Karina permitiu que os pais dela – Andréia e João Afonso – conversassem com a imprensa. A mãe contou ter ficado surpresa quando foi informada sobre a autoria do seqüestro. "Não acreditei. Ela era uma pessoa de casa. Participou das festas de aniversário da minha filha. Inclusive, trazia os filhos dela para brincar com a Karina", relatou.

Andréia disse ter passado dias terríveis sem a presença da filha. "A dor é pior do que de uma doença", explicou. Ela ressaltou que o pior momento foi a tortura psicológica realizada pelo seqüestrador. Situação vivida nos dois telefonemas e também quando Karina foi levada de sua companhia. Os pais acreditam que a criança nem imagina a situação pela qual passou. "Ela pensa que estava numa viagem", contou João.

Lição

Sobre o seqüestro, a mãe afirmou ter tirado uma lição. "Temos que desconfiar de tudo e de todos. O mundo está muito violento. Costumamos falar demais, principalmente entre familiares. Não dá para falar sobre tudo. Vou mudar a minha rotina", disse. Ela aproveitou a presença da imprensa para agradecer o grande trabalho realizado pela polícia do Paraná e, em especial, ao Grupo Tigre.

Bastante tímida diante de tantas perguntas e flashes de máquinas fotográficas, Karina pouco falou. Quando perguntada sobre o que faria ao chegar em casa, a menina respondeu: "Vou brincar com minha boneca".

Na tarde de ontem, Kariana e seus pais foram recepcionados com festa pela comunidade que mora próximo à sua residência, no município de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. (CB)