Foto: Alberto Melnechuky

Nelson invadiu colégio e residências, dizendo que era perseguido.

Certo de que era perseguido, o auxiliar de produção Nelson Gonçalves, 39 anos, iniciou uma fuga desesperada, que culminou com sua morte, na noite de domingo, no Sítio Cercado. Enquanto quebrava telhados e janelas e pulava muros de residências, o homem sofreu um profundo corte na perna direita.

Enfraquecido com a perda de sangue, Nelson não agüentou continuar a correria e morreu sentado na calçada da Rua Professor Bernardo Litzinger, Vila Rio Negro. A polícia acredita que o desespero não tenha passado de surto de pânico.

Familiares contaram que Nelson estava em liberdade condicional há cerca de três meses e que, durante esse período, levava uma vida normal, longe das drogas e dos crimes. Por isso, estranharam quando, por volta das 20h30, ele começou a quebrar objetos e destruir o telhado da casa onde a família mora.

Nelson disse que estava sendo perseguido e iniciou a fuga, pulando o muro em direção aos fundos do Colégio Municipal Rio Negro. Lá, correu até uma janela e estourou um vidro, cortando a perna. Sangrando bastante, o ?fugitivo? foi até a porta da frente, que estava trancada, e forçou-a para abrir, o que fez disparar o alarme.

Rastros

Ele entrou no banheiro feminino e quebrou mais um vidro, saindo no pátio da escola. Deixando rastros de sangue em toda parte, Nelson pulou o muro do colégio, atravessou a Rua Celeste Tortato Gabardo, e invadiu uma casa. Ele ainda teve forças para correr por mais algumas residências até que sentou na calçada e morreu. A polícia constatou que nada foi furtado do colégio nem das casas invadidas, reforçando a suspeita que Nelson tenha sido vítima de alucinação.

Nelson tinha extensa ficha criminal. De acordo com a polícia, em 1993, respondeu por lesão corporal, furto e roubo. Em 2001, foi novamente detido por roubo. Em 2003, envolveu-se em uma fuga de presos com furto de armas e coletes, do 13.º Distrito Policial (Tatuquara). A Delegacia de Homicídios, onde foi registrado o boletim de ocorrência da morte, não soube informar por qual crime Nelson foi condenado.