Christian Rizzi/Jornal do Iguaçu
Bombeiros, muito trabalho
para apagar as chamas.

Dois sul-coreanos morreram na manhã de ontem em um incêndio que ocorreu no sétimo andar de um edifício residencial no centro de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná. Kyung Mo, de 73 anos, e Hui Yeon, de 66 anos, eram moradores do bloco 6 Solar das Violetas, do Condomínio Village São Francisco, na Rua Padre Bernardo Blate, no centro da cidade. Ambos tinham dupla cidadania.

Segundo o major Carlos Alberto da Silva, do Corpo de Bombeiros, o prédio já havia sido reprovado em uma vistoria, há um ano, por não disponibilizar equipamentos contra incêndio, como hidrantes, mangueiras, extintores e sinalizadores para saídas de emergência. “Nem a água do prédio nós pudemos usar por falta de estrutura do prédio”, disse o major. Segundo ele, o laudo de vistoria com a reprovação foi enviado para o Ministério Público, que, na época, convocou o síndico do edifício. “Infelizmente nós não temos poder de polícia para autuar os moradores. A promotoria local tomou as providências, mas o síndico ainda não havia regularizado a situação”, disse.

Começo e fim

Quando os corpos das vítimas foram encontrados já estavam carbonizados e foram encaminhados para o Instituto Médico-Legal (IML) no início da tarde de ontem. Moradores do condomínio informaram que o fogo no apartamento 702, de 64 metros quadrados, começou por volta das 9h30. O Corpo de Bombeiros (CB), porém, só foi acionado às 9h47. Segundo o CB, em cinco minutos as viaturas da corporação chegaram ao local e iniciaram a operação. Em aproximadamente uma hora, o fogo foi contido. Os demais moradores do prédio deixaram o local, evitando que os acidentes acontecessem.

O condomínio residencial tem seis edifícios, cada um com doze pisos e quatro apartamentos por andar. Os outros três apartamentos do sétimo andar foram pouco afetados pelo fogo. Nas primeiras horas da tarde, os bombeiros permaneceram no local realizando procedimentos necessários para evitar novos focos de incêndio e limpando o que o fogo destruiu. Os apartamentos que ficam acima do sétimo andar tiveram as janelas quebradas com o calor.

Segundo o Instituto de Criminalística (IC) de Foz do Iguaçu, o bloco 6 inteiro foi interditado para uma revisão do local. Os outros apartamentos do mesmo andar também passaram por uma vistoria dos peritos. “Precisamos verificar se o incêndio afetou a estrutura do edifício, por isso isolamos a área para que todos os trabalhos possam ser realizados com eficiência”, contou o chefe da seção do IC e perito, José Lopes. Ele destacou que uma equipe da seção de engenharia de Curitiba foi acionada para ajudar no restante dos trabalhos e apurar a causa do incêndio.

O diretor do IML, Antônio Cezar Alves, informou que a Polícia Federal (PF) enviou a documentação das vítimas para que os corpos fossem identificados. “A documentação que estava com eles foi queimada no incêndio, por isso fizemos o pedido à PF. Quando foram encontrados, os corpos estavam carbonizados”, disse.

Vizinha relata pânico vivido durante incêndio

Segundo uma das moradoras do Condomínio Village São Francisco, o casal Kyung Mo e Hui Yeon tinha dois filhos. Uma mulher já casada e morando nos Estados Unidos, e um homem que ainda morava com os pais e tinha um casal de filhos, de 9 e 7 anos. Os nomes dos filhos não foram divulgados.

Iara Lopes Polpe, moradora do local há três anos, contou o desespero de todas as pessoas que acompanharam o acidente. Ela disse que, em alguns momentos, Kyung Mo quis se atirar do sétimo andar para fugir do fogo. No entanto, destaca Iara, “a altura era grande e não tinha nenhum equipamento para evitar que ele se machucasse”.

Iara explicou que o casal morava no local há alguns anos, se mudaram e, há um ano e meio, voltaram para o condomínio. “Eles eram bem dispostos, apesar da idade. Jogavam golfe e conheciam todo mundo”, disse. “Foi uma imagem desesperadora que todo mundo viu”, completou.

O administrador do condomínio, Edemir Pavei, informou que foi o primeiro caso de incêndio que ocorreu no local. Ele acompanhou todos os procedimentos que os bombeiros e peritos de Foz do Iguaçu realizaram. “O bloco está interditado e todos aguardam a inspeção dos peritos de Curitiba. É essencial que tudo esteja sob controle antes que os demais moradores voltem”, disse.

O Corpo de Bombeiros de Curitiba, que recebeu no final da tarde de ontem o relatório da corporação de Foz do Iguaçu, informou que foram utilizados 30 mil litros de água para conter o fogo no apartamento. Dezessete viaturas dos bombeiros e um caminhão da Prefeitura participaram da ação – 52 bombeiros também trabalharam para acabar com o incêndio. (RCJ)