Fotos: Equipe da Tribuna
do Paraná e COE/PM
Avião da TAM serviu de palco para treino de invasão.

Fazer parte dos Comandos e Operações Especiais (COE) da Polícia Militar é um sonho de muitos policiais, porém alcançado por poucos. Integrar a tropa de elite exige perseverança, coragem e superação.

Por quase dois meses, 12 policiais militares (sendo dois de Brasília, três do Mato Grosso do Sul e os demais do Paraná) se submeteram a duríssimas provas físicas e psicológicas para conseguir chegar ao final do curso que os habilita a integrar a equipe mais especializada da corporação. Eram 60 inscritos. A ?peneirada? é rigorosa.

Eles não são ?super-homens? nem precisam exibir músculos espetaculares, mas sem dúvida, quando encerraram os exercícios, na manhã de sexta-feira passada, transformaram-se em homens muito especiais e bem treinados, prontos para agir na água, em terra e até no ar.

Nem todos os formandos – a formatura vai acontecer na manhã da próxima quarta-feira – serão aproveitados pelo COE, por uma questão de vagas. Mas ficarão à espera de uma oportunidade.

Os policiais de outros estados levarão para suas unidades a experiência ganha, transformando-se em multiplicadores de informações e treinamentos. Nos quase 60 dias de trabalhos ininterruptos, os alunos aprenderam um pouco de tudo.

As instruções começaram na água – em piscina e na Represa do Passaúna. Foram aulas de mergulho, de salvamento, de buscas embarcadas e outras tantas. Depois seguiram para o mato, onde permaneceram dias sem comer e sem dormir, treinando emboscadas, fugas, avanços e recuos, caminhadas em mata fechada e dentro de rios. De volta à civilização, foram ?andar pelas paredes?, treinando técnicas de rapel para invasão em prédios; descidas de helicóptero por cordas, presos ou não a elas, vivenciando fantásticas experiências no ar. Quem tinha medo de altura se superou. Quem não sabia nadar, aprendeu.

Ainda técnicas de invasão em presídios e locais de difícil acesso; manuseio de armamento pesado com diferentes munições; tiro de precisão; suporte básico de vida; invasão de aeronave; resgate de reféns; arrombamentos; desarmamento de explosivos; salvamento de policiais feridos e até defesa pessoal com técnicas de muai thay fizeram parte do currículo. Além da prática e das constantes avaliações comportamentais, eles ainda fizeram provas teóricas. Para tudo, a nota mínima era 7. Menos que isso significava reprovação.

A Tribuna acompanhou todo o curso do COE, dando ao leitor a oportunidade de conhecer o quanto é difícil a formação de um policial de elite e o quanto este policial é merecedor de respeito e consideração. Aos formandos, os nossos parabéns. À sociedade, um alerta: quando o COE passar, abram alas, porque o assunto é urgente.