A quadrilha paulista foi
capturada pelo grupo Tigre.

O seqüestro da esposa de um empresário do setor imobiliário de Pontal do Paraná, ocorrido há seis dias, terminou na madrugada de ontem, com a prisão de quatro acusados e a libertação da refém. A vítima, de 40 anos, rendida desde a manhã de sexta-feira, foi resgatada pelo Grupo Tigre, da Polícia Civil, sem o pagamento do resgate de R$ 60 mil exigido pelos bandidos. A mulher estava bem de saúde, de acordo com os policiais

Todos os acusados são de São Paulo e tinham antecedentes criminais. Dois deles mantinham a refém no cativeiro – uma casa alugada no balneário Gaivotas, em Matinhos. O “estouro” do esconderijo possibilitou ao Tigre – grupo especializado em investigações de seqüestros – descobrir o “QG” da quadrilha no bairro Afonso Pena, em São José dos Pinhais. Na casa, outros dois acusados foram presos.

A vítima foi abordada em casa, no balneário Grajaú, em Pontal do Paraná, às 9h de sexta-feira. Os bandidos chegaram de carro e aproveitaram o portão aberto para entrar na garagem. Ao descerem, perguntaram pelo empresário, que havia saído, e então obrigaram a mulher dele a embarcar no veículo. A ação foi discreta e, embora tenham desconfiado, alguns pedreiros que trabalhavam na casa e uma filha da vítima não perceberam que se tratava de um seqüestro.

Terror

Duas horas depois, os seqüestradores fizeram o primeiro contato telefônico com a família, já exigindo o pagamento de R$ 60 mil para libertá-la. A mulher permaneceu rendida num matagal até as 17h de sexta, período em que dois dos criminosos locavam uma casa que julgaram apropriada para o cativeiro, em Gaivotas.

Desde então, os seqüestradores entraram em contato de cinco a seis vezes por dia com o empresário. “Usavam de terrorismo e faziam a refém chorar e gritar no telefone. Diziam que a estavam espancando”, falou Riad Farhat, delegado-chefe do Tigre.

O grupo anti-seqüestro assumiu o caso na segunda-feira. Após uma série de investigações, o cativeiro e a casa em São José dos Pinhais foram invadidos simultaneamente pela polícia, às 5h30 de ontem. Jackson de Souza Silva e Gilmar Jorge Francescon, ambos condenados por assalto, foram presos em Gaivotas. O irmão de Gilmar, Edson Paulo Francescon, condenado por agressão, e Marcondes Gomes da Silva, condenado por tráfico de drogas, foram supreendidos em São José dos Pinhais. Em princípio, o dono da casa de São José dos Pinhais foi apontado como suspeito, mas a polícia descartou a participação dele no crime e o liberou.

O Tigre apreendeu ainda farta munição de fuzil e de pistolas calibres nove milímetros, 380 e ponto 45; quatro telefones celulares, inclusive o pertencente à seqüestrada; três pistolas (duas calibre 380 e uma nove milímetros); um simulacro (arma de brinquedo); coldres e lanternas camuflados, material característico de uso das Forças Armadas (Exército).

A vítima – cujo nome é mantido sob sigilo – não chegou a sofrer violência nos seis dias do seqüestro. Mas ela se mostrava nervosa e abatida, já que se recusou a comer no cativeiro. Depois de medicada, foi liberada ainda na manhã de ontem.

Versão

De acordo com Gilmar Francescon, o grupo não tinha a intenção de realizar o seqüestro mas precisava receber uma alta quantia em dinheiro referente a compra de um trator, realizada pelo empresário, no valor de R$ 45 mil. O detido disse que intermediou a compra do trator, apresentando o empresário ao vendedor Marcelo, em Santos (SP), e como a conta total não havia sido paga pelo devedor, ele começou a ser pressionado para saldar a dívida. O irmão de Gilmar, Paulo, afirmou que em janeiro desse ano e no início da semana passada, eles já haviam entrado em contato com o empresário pedindo dinheiro, mas não obtiveram resposta. “Ele deu um Golf (carro utilizado no seqüestro) como forma de pagamento, mas esse carro está financiado”, contou.

Diante da suposta pressão, Gilmar reuniu amigos e o irmão e vieram para o Paraná, onde praticaram o seqüestro. Sobre a procedência das armas, o quarteto nada soube dizer.

A versão apresentada pelos irmãos foi desmentida pelo delegado Riad. “Eles tomaram de assalto a Blazer do empresário em Santos, há cinco meses, e ficaram com dados pessoais dele. Depois foram atrás para praticar o seqüestro. Na verdade, o grupo queria pegar o filho de 21 anos como refém”, explicou.

O delegado ressaltou que os seqüestros onde os valores pedidos são considerados baixos, acontecem com mais freqüência, devido a maior facilidade de familiares do refém conseguirem a quantia exigida.