Foto: Átila Alberti/Tribuna
Muitas promessas, nenhuma ajuda.

Três meses se passaram desde que Sirlei Dias da Cruz, 19 anos, sobreviveu ao acidente que pôs fim à vida do marido, da filha e de outros três parentes e ainda resultou no linchamento sumário do caminhoneiro que provocou a tragédia. Na época, a jovem – que já contava com a dificuldade de ter uma perna amputada – recebeu inúmeras promessas de ajuda, mas poucas delas foram cumpridas.

Hoje, Sirlei vive sozinha, beirando a situação da miséria, amargando a dor da saudade.

A tragédia foi amplamente divulgada pela imprensa e com isso muitas pessoas se mobilizaram e ofereceram ajuda à jovem. Sirlei chegou a abrir uma conta bancária (Banco Itaú – agência 2924 -16791-5) para receber doações, mas o único depósito que recebeu foi no valor de R$ 9,00. Pessoas ligaram oferecendo ajuda jurídica, alimentação e até mesmo uma casa própria, mas nenhuma das ofertas passou da promessa. Sem ter onde morar, Sirlei vive na casa que dividia com seu marido e a filha, em uma área de invasão no bairro Cachoeira, em Almirante Tamandaré.

Miséria

A casa tem apenas dois cômodos, feita de madeira, cujas frestas entre as tábuas e as janelas faz com que a chuva entre fácil. Para tomar banho, Sirlei esquenta a água e usa uma bacia, usando o vaso sanitário da cunhada que mora ao lado de sua casa. Os únicos eletrodomésticos que possui são uma televisão antiga e um fogareiro, comprado da vizinha por R$ 30,00, mas que ainda não teve condições de pagar. Para comer, Sirlei conta com a ajuda de conhecidos. Remédios, sabonetes, xampus e outros produtos de higiene pessoal são doados pela dona de uma farmácia.

Para agravar ainda mais sua situação, a jovem não recebeu nenhuma parcela do seguro obrigatório a que tem direito, pelas mortes da filha e do marido. Ela ainda está sendo cobrada pela funerária para pagar R$ 1.200 referente ao caixão do marido e R$ 300 pelo aluguel das gavetas do cemitério. Por ser deficiente física ela também não conseguiu arrumar emprego. Um vereador do município deu as muletas que usa para se locomover, enquanto aguarda a prótese de sua perna que só deve ficar pronta nos próximos quatro meses devido à fila de espera. "Quero trabalhar para me sustentar e não precisar depender dos outros. Estou desiludida, mas preciso lutar, pois não posso morrer junto com a milha filha e o meu marido", finalizou Sirlei.

Um dia de tragédia

No dia 16 de julho Sirlei, o marido dela, Cleber de Andrade Dias, 22; e a filha do casal, Vitória da Cruz Dias, 1 ano, participavam de uma festa de aniversário, na Rua Augusto dos Anjos, Barreirinha. Por volta da 1h eles resolveram ir embora com o pai da aniversariante, Altair Carmo da Silva, 36 anos, que ofereceu carona. Além deles, também entraram no carro a irmã de Cleber, Cláudia de Andrade Dias, 17; e a filha dela Samara de Andrade Kruger, 8 meses.

Todos estavam dentro do Kadett, placa AHD-2732, quando Claudemir Batista Severino, 45, tentou fazer seu caminhão, estacionado no alto da rua, pegar no tranco. O veículo então desceu desgovernado e destruiu o carro onde estavam os quatro adultos e as duas crianças. Sirlei foi arremessada para o porta-malas pelo marido, na tentativa de salvá-la. A filha dela morreu no colo, e o caminhoneiro foi linchado ,sumariamente, pelos populares que se revoltaram com a tragédia. Destes, apenas Sirlei sobreviveu, depois de passar horas presa nas ferragens.