Átila Alberti
Poucas viaturas
?aderiram? ao barulho.

A portaria assinada pelo delegado-geral-adjunto Francisco José Batista da Costa não surtiu o efeito desejado pelo governo. Somente alguns distritos colocaram suas viaturas nas ruas com as sirenes e giroflex ligados, conforme a ordem de serviço 004/2007. Como alguns distritos da capital possuem uma única viatura caracterizada, aproveitaram

a ordem para entregar intimações e, no caminho, ligaram a sirene e o giroflex, para obedecer a ordem. ?É uma determinação, temos que cumprir?, resumiu um policial, que não pode ser identificado.

Em alguns bairros da cidade, não era possível ver nem viaturas e nem sirenes ligadas. No Pilarzinho, Santa Felicidade e nem no centro da cidade, não se via nenhuma viatura.

No Sítio Cercado, uma única viatura fez o barulho. Na região do Boqueirão, Alto Boqueirão e Vila Hauer, também só uma circulou. ?Não há viaturas suficientes para fazer o barulho que a diretoria quer?, contou um policial. O movimento foi muito tímido em toda a cidade. Somente nas proximidades da Delegacia de Furtos e Roubos houve mais viaturas circulando.

Resposta

Apesar da determinação assinada pelo delegado-geral-adjunto do Departamento da Polícia Civil ser clara: ?… de forma a causar a impressão da presença dos carros de polícia em todos os pontos possíveis da cidade?, a assessoria da Secretaria da Segurança Pública, deu outra justificativa ao sirenaço. Segundo a nota, o ?carnaval policial? é atribuído ao final da Operação Nacional de Polícias Civis, que terminou ontem, e visava prender 900 homicidas em todo o País. ?…teve absoluto sucesso no Paraná. Ao todo, desde segunda-feira, foram 29 homicidas presos em todo o Estado?. A assessoria não soube informar quantos mandados contra homicidas há em vigor no Paraná e nem a data  em que eles foram expedidos. Ainda não soube dizer quem são os presos, nem onde foram presos e nem quem foram as vítimas dos assassinatos. A operação só foi encerrada no final da tarde de ontem e o sirenaço aconteceu das 13h às 13h15. ?O fato é um modo de marcar o encerramento da operação que apresentou completo êxito em todo país?, ressalta a nota.

Se comparado com outros estados, o número de homicidas presos esta semana foi baixo.

Em São Paulo foram cumpridos 667 mandados de prisão por este tipo de crime; no Mato Grosso, 131; no Espírito Santo, 60; no Distrito Federal, 43, e em Pernambuco, 30.

Delegado alega mal-entendido

Em entrevista coletiva na tarde de ontem, o delegado-geral Jorge Azôr Pinto disse que o sirenaço seria um gesto simbólico para que as pessoas vissem que a Polícia Civil do Paraná participou da operação nacional para a ?quebra da impunidade?. ?Nós não brincamos com a segurança. Talvez as palavras descritas naquela documento não foram empregadas corretamente, por isso causou má-interpretação por parte da imprensa. Por conta disso, essa manifestação não ocorreu no Paraná, nem em alguns estados?, disse.

Operação

A operação foi deflagrada desde segunda-feira em 25 estados e no Distrito Federal. Cerca de 30 mil delegados e investigadores foram às ruas atrás de ladrões, seqüestradores, falsários, homicidas, estupradores e outros criminosos. Só em São Paulo foram cumpridos 1.395 mandados de busca e apreensão. Pelo menos 2 mil pessoas foram presas no País, a maioria pelos policiais paulistas – 1.894 detidos. Em São Paulo, três pessoas morreram, por reagir à abordagem policial, segundo a polícia. Naquele estado, por falta de lugar em carceragens, os presos foram detidos em microônibus.

Foi a primeira operação do gênero na história das polícias estaduais no País. Minas Gerais, o único a não participar, informou que preferiu fazer em separado suas próprias ações contra o crime.