O delegado-geral da Polícia Civil, Marcus Vinícius Michelotto, já havia sido comunicado oficialmente, em julho do ano passado, da existência dos “mordomóveis” (viaturas usadas para fins pessoais). Em agosto, a denúncia foi arquivada pelo Conselho da Polícia Civil, órgão responsável por julgar transgressões de policiais, por exemplo. Três dos seis delegados que integram o Conselho foram flagrados pela Gazeta do Povo fazendo uso particular de veículos oficiais. A denúncia chegou ao delegado-geral por ofício encaminhado pelo Sindicato dos Investigadores de Polícia do Paraná (Sipol). Segundo o documento, investigadores eram obrigados a fazer a limpeza dos veículos oficiais a mando dos delegados. A denúncia foi arquivada por unanimidade pelo Conselho da Polícia Civil, alegando “solicitação genérica” e falta de “situação concreta a ser analisada”.

Engavetamento

Além do delegado-geral, votaram pelo engavetamento os delegados Benedito Gonçalves Neto, Paulo Ernesto de Araújo Cunha e Luiz Carlos de Oliveira. Os três usam “mordomóveis”. A Gazeta do Povo flagrou Oliveira indo a uma casa de prostituição com a viatura e Bendedito fazendo compras num supermercado.

Corregedor-geral da Polícia Civil, Paulo Ernesto foi flagrado com um Renault Fluence fazendo compras em uma padaria num sábado, quando não há expediente.

Gaeco

Há seis meses, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público Estadual, também enviou ofício ao corregedor-geral informando sobre o uso das viaturas da corporação para fins particulares. A denúncia foi ignorada mais uma vez.