João de Noronha
No local, foram encontrados objetos ligados às apostas e dinheiro.

A sede da cooperativa que concentra há anos todo o esquema de apostas referentes ao jogo do bicho em Curitiba foi "estourada", na tarde de ontem, por policiais do 12.º Batalhão de Polícia Militar. Instalado nos fundos de um estacionamento, localizado entre as ruas Doutor Gulin e Alberto Bolliger, Hugo Lange, funcionava o "quartel-general" da contravenção. Osni Manoel Tavares, 63, apontado como um dos banqueiros responsáveis pelo comando da cooperativa, foi levado à Promotoria de Investigação Criminal (PIC) junto com mais de 100 de seus funcionários.

A casa foi invadida por dezenas de policiais, por volta das 14h, depois de uma denúncia anônima feita à Polícia Militar. No local, os PMs apreenderam vários blocos, canhotos e envelopes relativos a apostas, R$ 15 mil em dinheiro, R$ 4 mil em cheques e diversas moedas. Um mapa com alfinetes pregados sobre os bairros indicava um número grande de pontos de apostas espalhados pela cidade.

Procurador

Informado da operação, o procurador de Justiça Dartagnan Cadilhe Abilhoa foi até a cooperativa acompanhado de outros promotores. Segundo ele, a PIC estava investigando o esquema há quatro meses, e apesar de ser louvável a ação da Polícia Militar, ela pode ter prejudicado no principal objetivo do Ministério Público: desmantelar a milícia armada que era feita por policiais civis e militares envolvidos com a contravenção. Abilhoa acredita que a informação sobre a operação feita pela PM vazou e por isso os arquivos comprometedores dos computadores podem ter sido removidos e os policiais envolvidos, deixado o local a tempo. "O nosso objetivo era flagrar os policiais fazendo a segurança armada da casa e descobrir através dos arquivos dos computadores e de agendas quais são os funcionários públicos envolvidos com o jogo do bicho. É público e notório que a cooperativa não funcionava sem a conivência da polícia", disse o procurador.

Banqueiros

O fato de nenhum indício criminal ter sido recolhido na cooperativa desanimou o Ministério Público. "O jogo do bicho é classificado apenas como contravenção, por isso todos os funcionários, assim como o banqueiro, assinarão um termo circunstanciado e, depois de serem ouvidos, serão liberados. Este local será interditado, mas nada impede que eles reabram essa cooperativa em outro lugar. Mesmo assim, iremos fazer um pente, fino na casa, pois quando a polícia chegou, havia oito pessoas escondidas no forro", finalizou o procurador.

Esquema denunciado por ex-PM

Esta é a segunda vez, em menos de 15 dias, que o banqueiro Osni Manoel Tavares, 63 anos, entrou em confronto com a polícia em nome da contravenção. No último dia 15, a operação-padrão realizada pela Polícia Civil "estourou" duas bancas de jogo do bicho, que seriam braços da cooperativa. Uma delas funcionava na Rua Bispo Dom José, Batel, e a outra na Rua Winston Churchill, Pinheirinho.

Assim como em outras situações, tão logo soube do fato, Osni foi até a cooperativa em defesa de seus funcionários. "Nós geramos 352 empregos diretos e não temos nenhuma relação com fatos criminosos como acontece no Rio de Janeiro. O que houve foi que Manfredo Flores Mandragon, ex-policial militar, quis entrar no esquema e não conseguiu, por isso nos cagüetou", disse ele.

De acordo com o procurador de Justiça Dartagnan Cadilhe Abilhoa, além de Osni, outros banqueiros gerenciam a cooperativa, entre eles Francisco de Paula de Castro Feitosa, 58, e Fúlvio Martins Pinto, 59. Ambos são suspeitos de terem envolvimento com o assassinato do bicheiro Almir José Hladkyi Solarewicz, ocorrido em setembro de 2000.