Faltando menos de dez dias para o início das festas de fim de ano, aumenta a preocupação dos delegados para a possibilidade de tentativas de fuga. Nos últimos 45 dias, três foram registradas em delegacias da Região Metropolitana de Curitiba e no litoral. Ao todo 58 presos fugiram, 24 foram capturados e 38 permanecem nas ruas.

De acordo com o superintendente da delegacia de São José dos Pinhais, Clóvis Pinheiro, os presos passam o dia e a noite pensando em maneiras de escapar da prisão. A última fuga na cidade aconteceu na madrugada de 4 de novembro, quando os detentos serraram uma grade e escaparam por um local de pouca visibilidade. Dos 29 presos que escaparam, 18 foram capturados. “Todos devem ser localizados, mas nosso trabalho foi focado em prender os mais perigosos. Fomos atrás de assassinos e traficantes”, afirmou Clóvis.

Em Matinhos, a fuga aconteceu na madrugada de 9 de dezembro, quando 16 presos cortaram uma barra de ferro e fugiram pelo telhado. No dia seguinte, seis foram capturados, no entanto, os demais continuam foragidos. “Estamos com 36 presos onde cabem 12. Com o calor aqui no litoral, tudo fica pior”, comentou um investigador.

A terceira fuga foi na delegacia de Fazenda Rio Grande. Os presos passaram a noite cortando a cela e, na madrugada de 10 de dezembro, 12 detentos escaparam. Nenhum deles foi localizado.

Direitos humanos

Para a advogada Izabel Kugler Mendes, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), vários motivos contribuem para as fugas. “No fim do ano a situação fica pior, pois eles querem passar o Natal e o Reveillon com a família. Parece um abuso, afinal eles cometeram o crime e têm que pagar por isso, mas as condições nas delegacias são desumanas”, explicou. “Onde cabem 20, têm 100, e, em algumas celas, a temperatura passa de 50 graus. A comida azeda com mais facilidade e é praticamente impossível se alimentar”, completou.

Para a advogada, a situação é muito pior do que se imagina. “As celas são pequenas e os sanitários, que ficam no chão, não têm condições de receber os dejetos dos presos. “Uma cela para dez presos têm 50. O encanamento foi feito para receber as necessidades fisiológicas de dez pessoas e não cinco vezes mais. Os canos entopem com frequência e o mal cheiro é constante. Como não pensar em fugir?”, questiona.

Expectativa é que parceria entre secretarias resolva o problema

O diretor do Departamento Penitenciário (Depen), Maurício Kuehne, declarou que uma das medidas para reduzir o problema da superlotação é a parceria entre a Secretaria de Justiça e a Secretaria de Segurança Pública. “Fazemos mutirões frequentes na Colônia Penal Agroindustrial, para colocar em liberdade presos que têm esse direito. Essas ações liberam vagas para outros presos, que estão no regime fechado. E assim por diante, até que os presos das delegacias sejam encaminhados às penitenciarias”, explicou.

Segundo ele, nos dois últimos anos, mais de 5 mil presos foram transferidos. Atualmente, mais de 10 mil lotam as delegacias, mas a expectativa é que, até o final de 2014, o número não passe de 2,5 mil. Enquanto isso não acontece, as delegacias continuam superlotadas e os presos arquitetando a próxima fuga.

Anderson Tozato
Calor provocado pela superlotação é um dos motivos pra fugir.