O governador Roberto Requião assinou ontem o decreto para a exoneração de 18 policiais civis, marcando o início de um processo que está sendo chamado de “limpeza” no quadro da Polícia Civil do Paraná. E na próxima semana o Conselho de Segurança Pública deverá iniciar o julgamento de outros 354 processos disciplinares e sindicâncias instaurados e investigados internamente. Há policiais que respondem a mais de uma ação.

Todos os policiais exonerados por corrupção estarão impedidos de participar de outros concursos públicos, conforme afirmou o delegado-geral Adauto Abreu de Oliveira. “Se queremos mudar a imagem da instituição, precisamos tirar dos quadros os maus elementos, que comprometem o trabalho dos bons policiais”, assegurou Oliveira.

Casa Civil

Para o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, o decreto exonerando os policiais assinado pelo governador demonstra a boa vontade do governo em cumprir com o compromisso de limpar e moralizar a Segurança Pública no Estado. “Vamos acelerar o processo para moralizar a polícia”, disse ele.

Por outro lado, o delegado-geral anunciou que serão contratados 12 novos policiais, aprovados no último concurso da PC, para ocuparem o lugar daqueles que estão sendo afastados por responderem a processos. Na realidade a polícia necessita de pelo menos mais três mil policiais para nivelar seus quadros, há anos defasados. O próprio delegado-geral admite que o número de contratados é insuficiente, mas diz que na medida que as dificuldades forem surgindo, serão chamados outros aprovados no mesmo concurso.

Conselho

Outra medida que deverá ser adotada em breve é uma mudança na estrutura do Conselho da Polícia Civil, hoje composto apenas por delegados. A idéia é abrir vagas também para representantes do Ministério Público e da sociedade civil, de acordo com informações prestadas por Caíto Quintana.

Delegados discutem mudanças

Delegados responsáveis pelas especializadas e distritos da capital estiveram reunidos durante dois dias (quarta e quinta-feira últimas), com o delegado-geral da Polícia Civil, Adauto Abreu de Oliveira, para discutir métodos de promover mudanças na instituição. A idéia é, além de reformar espaços físicos que abrigam delegacias, também promover modificações no tratamento dispensado às pessoas que procuram as unidades policiais, até a agilidade e transparência no trabalho,

A medida foi bem recebida entre os delegados, segundo informou Adauto, lembrando: “Nós temos obrigação de mudar a imagem da Polícia Civil”. Ele também pediu que cada delegacia continue e aprimore a integração com a Polícia Militar. Na próxima semana o delegado-geral deverá visitar cada uma das delegacias de Curitiba para verificar a situação delas e como os investigadores estão trabalhando. E avisou: “Vamos observar todos os policiais com uma lupa. Nada vai escapar”.