Morto, ainda sem identificação confirmada,
estava na margem do Contorno Leste.

Com um tiro na cabeça, em adiantado estado de decomposição e vestindo somente cueca, foi encontrado por populares, no início da tarde de ontem, um corpo que seria de Sílvio Ricardo Mendes dos Santos, 19 anos, às margens do quilômetro 90 do Contorno Leste, sentido São Paulo, no bairro Águas Claras, em Piraquara. Há oito dias, um colega do rapaz, Ângelo Flaresso, 18 anos, foi achado do outro lado da rodovia. A polícia suspeita que os dois foram assassinados no mesmo dia.

Denúncia

Amigos e familiares da vítima revelaram à polícia que viram Sílvio e Ângelo juntos no Parque da Fonte, em São José dos Pinhais. Nesse mesmo dia, uma viatura da Rone – Ronda Ostensiva de Natureza Especial – estava fazendo patrulhamento no local. Segundo parentes de Sílvio, há seis meses o jovem e alguns colegas arrombaram a casa de um policial militar, lotado na Rone, que mora em São José dos Pinhais. Por esse motivo o rapaz foi espancado pelo dono da moradia e seus colegas de trabalho. “Meu filho ficou internado e registramos queixa na delegacia. Ele estava sendo ameaçado pelos policiais. Acho que podem ter cumprido as ameaças”, relatou o pai de Sílvio, Carlos Roberto dos Santos. Ele esteve ontem no Instituto Médico Legal de Curitiba para reconhecer o corpo, mas não foi possível devido ao adiantado estado de decomposição do cadáver. “Já foi solicitado o exame da arcada dentária. O resultado deve sair amanhã e vai confirmar se realmente é meu filho”, disse o pai de Sílvio.

Apesar de não ter certeza de que o corpo é do filho, ele disse que uma calça de moletom manchada de sangue, encontrada próximo ao corpo de Ângelo, no último dia 12, é de seu filho. “Se for mesmo meu filho, o policial militar é o principal suspeito”, disse Carlos Roberto. “Infelizmente meu filho se envolveu com algumas pessoas e furtou objetos”, lamentou.

Tiro

O perito Adilson, da Polícia Científica, disse que no local só verificou um tiro na cabeça, mas é provável que haja mais disparos. “Só a necropsia poderá revelar, devido ao adiantado estado de decomposição. Muitos dos ferimentos podem ter sido provocados pela ação de animais”, comentou o perito. Ele disse que o calor que tem feito nos últimos dias também colaborou para a putrefação do cadáver.

O investigador Soccol, que atendeu a ocorrência, informou que quando o corpo de Ângelo Flaresso, 18 anos, foi encontrado às 5h30 da madrugada do dia 12, com dois tiros na cabeça, já suspeitava que houvesse outra pessoa ferida. “No local foi encontrado sangue, que não pertencia ao Ângelo”, salientou o policial. Ele disse que a hipótese mais provável é que após ser atingido, o rapaz tentou escapar dos criminosos e atravessar a rodovia, mas foi perseguido e morto. O superintendente Costa disse que está apurando o que realmente aconteceu.

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