Anderson Tozato
Alexandre, tiro na cabeça.

Um café foi a primeira coisa que Alexandre do Nascimento, 21 anos, pediu para sua mãe, depois de passar quatro meses na cadeia. Ele esperava o preparo contando sua experiência na carceragem quando uma bala atingiu-o na cabeça. O rapaz agonizou por alguns minutos antes de morrer, caído entre a cozinha e a sala de sua casa, na Rua Taquara, próximo da esquina com a Rua Estevam Ribeiro de Souza Netto, Cajuru, pouco antes das 21h30 de sexta-feira.

O suspeito do assassinato foi apontado como Roger Edson Lourenço, 18, aos policiais militares da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) do Regimento de Polícia Montada (RPMont). Ele foi procurado em sua casa, próxima do local do crime, mas não foi encontrado e o motivo do assassinato é desconhecido.

Os investigadores Sérgio, Lopes e Lima, da Delegacia de Homicídios, investigam se a bala era endereçada a Alexandre ou ao seu padrasto, Rubens Antônio Viana, 30, o "Rubinho", que estava sentado na varanda e por pouco não foi baleado.

Corredor

Os tiros vieram do corredor que leva à residência. Rubens estava no lado de fora, perto da janela da cozinha. Lá dentro, Alexandre, que recém acabara o banho para "tirar o cheiro da cadeia", conversava com sua mãe (Nair Elias do Nascimento), duas irmãs e um cunhado. "Ouvimos dois tiros e o Alexandre caiu, pensei que tivesse se abaixado e me joguei em cima dele", contou a mãe.

Toda a família se deitou no chão. "Peguei minha filha e fui com ela para debaixo da mesa", relatou o cunhado Leandro Rodrigues, 20, ainda segurando o bebê de apenas cinco meses. Eles estavam ao lado da janela por onde entrou o projétil. O outro tiro acertou a mureta da varanda, a poucos centímetros do sofá onde Rubens estava sentado.

Os soldados Velloso e Roberson, da Patrulha Escolar do RPMont, foram os primeiros a chegar. "Ele ainda agonizava", relatou Velloso. O Siate foi ao local, mas o tiro fora fatal para o jovem. De acordo com a família de Alexandre, ele esteve preso durante quatro meses no 3.º Distrito Policial (Mercês), por assalto.

Hipóteses

Para a família, Alexandre disse não ter arrumado confusão durante o tempo em que esteve preso e, de acordo com uma de suas irmãs, ele não teria rixa com ninguém da região. Uma das hipóteses levantadas pela DH é que a intenção teria sido matar Rubens. Roger é amasiado com uma irmã de Alexandre. Ele teria ciúme do padrasto da esposa, conforme comentários aos investigadores. "Qualquer afirmação é prematura, vamos tomar todos os depoimentos para elucidar o caso", disse o policial Lopes.