A quarta pessoa assassinada carbonizada neste mês foi encontrada na manhã de ontem, no bairro Guaíra. A vítima, provavelmente uma mulher, ainda pegava fogo quando os moradores chamaram a Polícia Militar. Eles ouviram os cachorros latirem mais que o normal, por volta das 4h, e só localizaram o cadáver pouco antes das 7h, quando saíram para trabalhar.

O corpo estava na entrada de um matagal, na esquina das ruas Sergipe e Bahia, a poucas quadras da Unidade Paraná Seguro do Parolin. A vítima morreu deitada de barriga para baixo, segurando um aparelho eletrônico, que foi parcialmente destruído pelo fogo. Ela tinha dois brincos em cada orelha, carregava no pescoço uma correntinha dourada e tinha uma aliança na mão direita.

A polícia acredita que se trata de uma mulher pela estrutura física e porque só restaram intactos ao fogo uma parte do sutiã vermelho e um pedaço de tecido com desenhos infantis, como ursos e corações, que tinha manchas de sangue.

Não se sabe se o tecido era de uma peça de roupa ou de um lençol, nem se o sangue é de uma lesão anterior à carbonização do corpo. O Instituto de Criminalística também não conseguiu confirmar se a vítima estava sobre um colchão, ou se algum outro material foi usado para que o fogo se espalhasse por todo o corpo.

Focos

Os peritos precisaram abafar pequenos focos de chamas para analisar o cadáver. Ao redor havia vários entulhos, camisinha usada e uma barra de ferro, que já poderiam estar no local antes do homicídio. Ninguém soube dizer quem pode ser a vítima.

Barbárie impressiona até delegado

Ainda não é possível dizer se as quatro vítimas, encontradas carbonizadas, neste mês foram queimadas vivas ou o fogo foi usado para evitar a identificação do corpo. Os assassinos ainda não foram identificados.”É um retorno à Idade Média, uma barbárie”, comenta o delegado Rubens Recalcatti, titular da Delegacia de Homicídios.

Em 6 de janeiro, um homem foi encontrado morto dentro de um carro, incendiado perto da Estrada da Campininha, área rural de Bocaiuva do Sul. No dia 13, assassinos colocaram a vítima dentro de dois pneus e atearam fogo. O corpo foi encontrado em um terreno baldio na Rua Ângelo Gai, na Vila Paraguai, Umbará.

Na quarta-feira, Amarildo da Silva Batista, 39 anos, foi amarrado a uma cama e também morreu queimado, em Almirante Tamandaré. Com exceção de Amarildo, os outros três corpos aguardam identificação por exames de DNA e arcada dentária.