As famílias que ocupam a calçada da Rua João Dembinski, no bairro Fazendinha, em Curitiba, fizeram uma manifestação ontem em protesto pela morte de um dos sem teto, Celso Eidt, 38 anos, na noite de quarta-feira.

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Ele foi assassinado com vários tiros dentro de uma das barracas. Depois de sair do Instituto Médico-Legal, o corpo foi levado para o meio da rua e os manifestantes pediram justiça e moradia para quem precisa.

Segundo testemunhas, Eidt estava na barraca quando um carro Golf prata se aproximou e quatro homens dispararam contra o rapaz. A família estava inconformada.

A irmã, Lucila Eidt, diz que na tarde de quarta-feira ele teria ido pedir água para os seguranças da área ao lado. Mas ele foi expulso do local e teria sido ameaçado com armas. Após o desentendimento, foi morto. “Ele foi executado covardemente. Ele tem uma filha de oito anos, que vai ficar sem pai”, disse.

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Policiais que estiveram no local disseram que Eidt tinha pendências com a Justiça no Rio Grande do Sul. Mas a família nega e afirma que ele nunca esteve naquele estado.

As famílias abrigadas na calçada resolveram prestar uma homenagem a Eidt. Por volta das 15h, fecharam a rua e, enquanto esperavam o corpo chegar, cantaram o hino nacional e rezaram envolta de uma cruz de madeira. Empunharam faixas e cartazes pedindo justiça e mais atenção das autoridades para as pessoas que não têm onde morar.

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O corpo de Eidt chegou ao local por volta das 16h30. O caixão foi retirado de dentro do carro funerário e colocado em cima de uma mesa no meio da rua. Os manifestantes prestaram homenagens e se dirigiram até o local onde o homem foi morto e lá fincaram a cruz. Depois, o corpo foi levado para uma igreja da região para ser velado. O enterro será realizado hoje, às 10h, no Cemitério do Campo Comprido.

A coordenadora do Movimento Nacional da União por Moradia Popular, Maria das Graças Silva Souza, diz que, das 270 famílias que resistiam, ontem havia apenas 60.

As demais ficaram com medo e resolveram deixar o local. Ela está tentando levantar recursos para alugar um barracão para levar as famílias. Também está pleiteando junto ao Ministério das Cidades recursos para a construção de casas. Mas, por enquanto, não se sabe o destino dos desabrigados.

Nos últimos dois dias um oficial de justiça esteve no local pedindo a saída das pessoas. A prefeitura conseguiu a reintegração de posse da calçada, que é área pública. Várias entidades e grupos sociais apoiaram a manifestação ontem.

Varuna

Segundo informações da assessoria de imprensa da empresa dona da área, Varuna Empreedimentos, só existe água na residência do caseiro e ninguém foi até lá.

Além disso, afirmou que os seguranças particulares não tiveram qualquer participação no crime e não carregam armas. Segundo informações da Delegacia de Homicídios, ainda não foi apurado nada em relação ao crime.