Átila Alberti
Na sala de aula, ?castigo? é para professores.

Medo, indignação e revolta foi o que motivou uma comitiva – com mais de 20 professores do Colégio Estadual Vinícius de Moraes, Rua das Rosas, Jardim Monte Castelo, em Colombo – a registrar vários boletins de ocorrência na delegacia do Alto Maracanã, na tarde de ontem. Na sexta-feira, por volta de 22h, cinco carros, que estavam no estacionamento da escola, foram apedrejados e várias janelas foram quebradas por vândalos que moram na região.

Segundo os professores, esse tipo de ação é constante e não tem horário para acontecer. ?Quando não é pedra, é ovo. Não temos mais paz e nenhum pouco de segurança. Somos ameaçados dentro da sala de aula?, contou uma professora que não quis se identificar. Ela disse que muitos professores são coagidos e intimidados, inclusive, com ameaça de morte. ?Todos os dias estamos sujeitos a atos de vandalismo. Há alguns dias, uma estudante de 13 anos, foi atingida por uma pedra, vinda de fora, durante a aula, e levou quatro pontos no nariz?, relatou a professora.

Comunidade

O professor Renato Cordeiro disse que a escola tem bom relacionamento com a comunidade e não entende como moradores podem querer destruir uma instituição que só quer ajudar. ?Nas reuniões, os pais participam e dizem que vão conversar com seus filhos, mas os atos de vandalismo continuam. São pedradas, muros quebrados?, explicou.

Na escola, o laboratório e a secretaria são trancadas com grade. ?Nas salas de aula temos as televisões laranja, do governo do Estado. Alguns alunos já investigaram se ela funciona normalmente, se pega todos os canais. Só não foram roubadas ainda por causa da cor?, comentou uma professora.

A delegada Márcia Marcondes ouviu os professores. Segundo eles, dois suspeitos foram identificados, no entanto, por serem adolescentes, vão ser intimados a comparecer na delegacia acompanhados dos pais e assinar um boletim de ocorrência circunstanciado.

Grades até virar prisão

Representantes da Secretaria de Estado da Educação estiveram no colégio e informaram que já estão fazendo licitação para colocar grades em todas as janelas da instituição. ?São medidas paliativas, que resolvem um problema isolado. Precisamos de projetos sociais e políticas públicas que trabalhem os alunos fora do horário de aula?, comentou um professor. Segundo ele, os projetos existentes não são suficientes, ou por falta de professores, ou por falta de estrutura da escola. ?Temos o Projeto Segundo Tempo, que incentiva a prática esportiva, com alunos fora do horário de aula. Mas nem sempre temos professores disponíveis e as atividades acontecem na praça. Quando chove temos que cancelá-las?, explicou.

?É madeira?

Alunos e professores se enfrentam diariamente. O professor ganha a ?luta?, quando consegue voltar no dia seguinte, mas nem sempre é assim. Muitos já desistiram no meio da aula. ?Só neste mês, duas pedagogas passaram pela escola e desistiram?, comentou uma professora. Segundo ela, quando um profissional chega na escola e os alunos percebem que ele não tem estabilidade para continuar, eles começam a gritar ?é madeira, é madeira!?, que significa que logo vai cair. ?Neste ano, uma colega entrou em uma sala para dar a primeira aula. Meia hora depois ela estava na secretaria, se desligando?, lamentou.

A professora disse que já tentou uma solução através das famílias, mas não teve muito sucesso. ?A mãe de um aluno disse que tem medo de repreendê-lo, pois corre o risco de ser agredida?, completou.