| Orestes, Rodrigo, Edgar e Edivaldo: ação ousada. |
Quatro dos cinco envolvidos no assalto que apavorou clientes e funcionários do Shopping Mueller, terça-feira à noite, estão na cadeia. O quinto já foi identificado pelas polícias civil e militar, que recuperaram o material roubado da joalheria Bergerson, avaliado em R$ 300 mil. Cinco pessoas – um policial, dois clientes e dois criminosos – ficaram feridas no tiroteio.
A maioria dos acusados tem antecedentes criminais. A quadrilha era chefiada por Orestes Vicente Pinto, o ?Véio?, 47 anos, preso terça-feira à noite em sua casa, na Cidade Industrial. ?Véio? é foragido da Colônia Penal Agrícola de Piraquara e está condenado até 2026 por envolvimento em vários roubos, inclusive de banco. ?A PM chegou a tempo. Deu tudo errado?, admitiu o acusado.
A polícia identificou os envolvidos através de Rodrigo Carlos de Oliveira, 27 anos, único a ser preso no local do confronto. Segundo a polícia, Rodrigo – que forneceu o nome falso de Edson Belmiro -, ?Véio? e Edivaldo Alves Barbosa, 32 anos, participaram diretamente da ação. Há a suspeita de que um quarto assaltante, chamado Alexandre, estivesse no estabelecimento, mas o fato ainda está sendo averiguado.
Estilhaços
O cabo Jeovani Cesar Kucmanski, lotado no 17.º Batalhão da Polícia Militar, percebeu o assalto e reagiu. ?Falou-se que o cabo estaria trabalhando irregularmente como segurança, o que não é verdade. Ele passeava com a esposa e agiu com bravura?, disse o delegado Marcus Michelotto, titular do Cope (Centro de Operações Policiais Especiais).
Na troca de tiros entre o PM e os bandidos, às 19h20 de terça-feira, vidros de uma loja foram partidos e os estilhaços feriram um casal de turistas colombianos, que foram medicados no Hospital Evangélico e liberados em seguida. O cabo foi baleado no ombro, mas ainda perseguiu os assaltantes, que fugiram numa Renault Scènic. Ao fim do tiroteio, o Cope, acionado por um alarme instalado dentro da joalheria, chegou como reforço.
O Scènic, roubado, bateu numa árvore na Rua Duque de Caxias, perto do shopping. Rodrigo, que tem 11 passagens na polícia por assalto, levou um tiro de raspão na perna e foi preso. Uma bolsa com jóias e relógios, equivalente ao total roubado, foi recuperada dentro no carro.
Nas investigações que se seguiram durante a noite e madrugada, foram detidos ?Véio?, que também fora baleado na perna, Edivaldo, no Conjunto Piratini, Pinheirinho, e Edgar Souza Batista o ?Baiano?, em Araucária. Este último, que teria participado do planejamento do roubo, é o único cujos antecedentes seguem em investigação. Os demais são ex-presidiários.
O acusado, que permanece foragido, é Paulo Roberto Marques, que cumpria pena por roubo em regime semi-aberto. A polícia apreendeu quatro armas de fogo em poder dos suspeitos.
Segundo Michelotto, a quadrilha é toda do Paraná e pode estar envolvida em outros roubos semelhantes. O Cope segue as investigações para identificar os receptadores das jóias roubadas.
De acordo com dados da Secretaria Estadual de Seguranças Pública, seis assaltos a joalherias foram registrados no Paraná no ano passado. O caso de terça-feira é o segundo em 2005.