Allan Costa Pinto
Altair e Alex fazem parte de um seleto grupo de ladrões paulistas que atuavam no Paraná.

Roubar Rolex e outras marcas caras de relógios em Curitiba acabou levando dois assaltantes paulistas à cadeia, na tarde do último sábado. Alex Rodrigues Osmundo, o ?Lecão?, 37 anos, e Altair Rogério Ribeiro, o ?Draco?, 27, foram flagrados com uma arma e dois relógios que haviam acabado de roubar no Batel. Ambos foram levados à Delegacia de Furtos e Roubos (DFR). Outro bandido, que dava cobertura à dupla, conseguiu escapar.

O delegado Rubens Recalcatti explica que há meses a delegacia investiga a ação da quadrilha, formada por cerca de 20 indivíduos de Curitiba e de São Paulo, incluindo mulheres. Apesar do feriado, Recalcatti obteve informações de que o bando planejava o roubo de nova ?leva? de relógios no fim de semana. Cinco equipes da DFR foram colocadas em investigações no Batel e proximidades. Na manhã de sábado, ocorreu o primeiro roubo. Um médico e empresário que chegava em casa, nas imediações do Colégio Paranaense, foi abordado por dois indivíduos numa moto, que levaram um relógio Cartier. Em seguida, novo assalto.

A mesma dupla roubou um advogado na Rua Padre Anchieta. Os marginais bateram com a arma no vidro do carro do advogado e o obrigaram a parar e entregar o Rolex. A essa altura, as equipes já tinham a informação de que a dupla agia sob a cobertura de um automóvel, o qual também já tinham suas características.

Prisão

O carro foi localizado estacionado na Praça da Espanha, com ?Lecão? e ?Draco? dentro. O Cartier e o Rolex roubados estavam escondidos no banco de trás, bem como a arma usada pela dupla. O indivíduo que estava no automóvel dando cobertura conseguiu escapar na moto e não foi localizado. A dupla presa foi reconhecida pelas vítimas.

Recalcatti explica que a maior parte da quadrilha é de São Paulo. Mas há integrantes em Curitiba que dão apoio logístico, estadia e ajudam a planejar os roubos. Desta quadrilha também faz parte André Gonçalves da Silva, acusado de ter participado do latrocínio (roubo com morte) do empresário José Sérgio Levek, no final de agosto. O delegado apurou que André foi preso em São Paulo, ao ser baleado em um assalto, mas ainda não conseguiu localizar em que cadeia ele está recolhido. O comparsa de André no latrocínio, o técnico em telecomunicações Davis Rodrigues Betim, 29, entregou-se à polícia quando os policiais o procuraram para cumprir a prisão preventiva. Suspeita-se que a quadrilha também participe de assaltos contra empresas, em saídas de bancos e roubos de malotes.

Outras prisões neste ano

Em julho, a DFR já havia realizado a prisão de outros dois indivíduos envolvidos nos roubos de Rolex. Rodrigo Felix dos Santos, 30, e Wellington Willian de Oliveira, 31, foram presos em flagrante logo após roubar dois relógios no Batel e no Água Verde, respectivamente. Eles permaneceram detidos por três meses, mas, por excesso de prazo de suas prisões preventivas, acabaram soltos. Ambos confessaram que vieram de Embú (SP) para praticar assaltos. Também utilizaram o mesmo esquema, no qual dois fazem os roubos numa moto e um terceiro indivíduo dá cobertura num automóvel. A pessoa que estava neste carro, um Marea, conseguiu fugir. No carro estavam dois relógios, mas que não eram os roubados das vítimas do Batel e do Água Verde. Não se sabe de onde os objetos foram roubados.