Por quase dois anos, Marcos Roberto D’avila não passou um mês sem aparecer na Delegacia de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Ele tinha um único pedido: que o assassino do filho, um adolescente de 14 anos, fosse identificado e preso. Nesta quinta-feira (19), D’avila teve “conforto no coração”, como ele mesmo definiu.

Rafael Alves Pessoa, 21 anos, é o principal suspeito pela morte do adolescente. A vítima foi torturada e morta em agosto de 2014. O corpo foi encontrado em um matagal no Jardim Ipê, em São José dos Pinhais, com a língua e o pescoço cortados. O garoto também levou dois tiros.

Segundo a polícia, o homicídio foi motivado por vingança. O adolescente dedurou o paradeiro de Pessoa para uma gangue rival. O suspeito foi espancado e até foi parar no hospital. Quando recebeu alta, resolveu se vingar e planejou com mais dois colegas a morte do garoto.

Na noite do crime, Pessoa e os comparsas forçaram a vítima, que voltava da casa de um colega, a entrar em um carro que tinha sido roubado. O adolescente foi morto no mesmo dia após uma sessão de tortura. O corpo foi encontrado 15 dias depois.

De acordo com o delegado Michel Carvalho, o desfecho do crime foi possível após um dos participantes ter sido preso em outra situação e concordado em ajudar na elucidação do homicídio do adolescente. A partir de imagens de câmeras de segurança e de um exame de confronto balístico, os policiais conseguiram identificar e prender Pessoa. A polícia ainda procura o terceiro rapaz que participou do assassinato.

Os presos vão responder por homicídio qualificado com emprego de tortura e emboscada.