A polícia prendeu, na tarde desta quarta-feira (27), mais um suspeito de integrar a quadrilha que desviava dinheiro de contas bancárias, usando a internet. O esquema foi desmantelado, na terça-feira (26), pela operação Anti-Spam, que reuniu policiais civis e militares. Estão sendo cumpridos mais 20 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão, todos expedidos pela Justiça. A polícia também trabalha no interrogatório dos presos

Fábio César Prieto Vieira, 29 anos, estava com prisão temporária decretada e foi detido em Apucarana, Norte do Estado. O delegado-chefe da 17.ª Subdivisão de Apucarana, contou que advogados de foragidos prometeram apresentar seus clientes nos próximos dias.

O objetivo do cumprimento dos 20 mandados de busca nesta quarta-feira é apreender cartões eletrônicos e documentos bancários, que evidenciem os crimes de desvio de dinheiro. ?Estamos identificando todos os objetos apreendidos. Ontem aconteceu uma grande arrecadação, no cumprimento dos 36 mandados de busca e apreensão, mas tudo tem que ser organizado para obtermos provas e juntarmos ao inquérito?, disse o delegado.

Interrogatório

Os presos temporários estão sendo ouvidos na delegacia de Cambira, cidade vizinha à Apucarana. ?Como a prisão temporária deles tem prazo de cinco dias, prorrogáveis para mais cinco, precisamos ouvi-los antes que sejam liberados, caso seja necessário pedir alguma prisão preventiva?, disse o delegado Adão Vagner Loureiro Rodrigues, do Nurce de Maringá.

Segundo a polícia, a maioria dos presos temporários era de ?fornecedores?, como eram chamados, dentro da quadrilha, os correntistas que cediam suas contas. Para elas era transferido o dinheiro furtado por hackers de outras contas bancárias. ?Esperamos complementar as investigações e saber como estes fornecedores eram abordados e de quanto eram as comissões que recebiam para emprestar o cartão?.

Segundo o delegado, alguns interrogados disseram que chegavam a receber 50% do valor desviado das vítimas. ?Ao que parece, a porcentagem era estabelecida dependendo de quanto dinheiro tinha sido furtado. O acerto era feito na hora. Alguns recebiam 50% do valor, outros eram enganados, variava muito?, disse ele. Rodrigues relatou ainda que muitos que começaram como ?fornecedores?, passaram a ser ?coletores?, ou seja, tentavam convencer outras pessoas para se tornarem ?fornecedores? e emprestarem seus cartões de banco.

Segundo a polícia, está previsto para esta quinta-feira (28) o início dos interrogatórios dos hackers. A conclusão do inquérito tem prazo de dez dias para ser concluído, a partir do início da operação.

Operação Anti-Spam

Na terça-feira (26), as polícias Civil e Militar do Paraná, sob o comando do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), cumpriram 33 mandados de prisão e 36 de busca e apreensão contra suspeitos de integrar uma quadrilha de hackers e correntistas, especializada em furtar dinheiro de contas bancárias através da internet. Outras duas pessoas foram presas em flagrante por porte ilegal de arma. As prisões aconteceram quase simultaneamente, durante a Operação Anti-Spam, iniciada às 6h, em Guaratuba, Apucarana e Londrina, onde, segundo a polícia, ficavam os principais integrantes da quadrilha.

O grupo, comandado por hackers, contava com a colaboração de correntistas que recebiam parte do dinheiro furtado das contas. A polícia estima que a quadrilha já tenha lucrado mais de R$ 3 milhões sacando ilegalmente o dinheiro de pessoas de todos os lugares do Brasil.

Foram bloqueadas 23 contas bancárias do grupo. ?Pedimos ao Banco Central que nos ajude a fazer uma busca nacional para encontrar outras contas nos nomes dessas pessoas para que possam ser imediatamente bloqueadas?, disse o coordenador estadual do Nurce, delegado Sérgio Inácio Sirino.