Material muito estranho
apreendido com Mário.

Dizendo-se proprietário do Centro Integrado de Apoio aos Integrantes da Polícia Militar do Brasil, Mário Coradin Júnior, 49 anos, foi detido no final da tarde de ontem com cinco carros com os chassis adulterados, que levavam a marca do Ciai. Em sua residência, na Rua Rio Xingu, em Fazenda Rio Grande, os investigadores Márcio e Ferreira, da delegacia daquela cidade, apreenderam peças de uniformes policiais, duas pistolas de brinquedo e várias placas de automóveis. Ele alegou inocência.

A investigação chegou até Mário por meio de um pára-brisa, que pertencia a um Tempra furtado e estava instalado em um Tipo, que teria sido vendido por ele para uma oficina. Desde a manhã, os policiais ficaram em campana na casa do acusado e encontraram os seguintes veículos, todos com o chassi adulterado por meio de pinos, lixa ou corte: Ipanema placa AGQ-0163 (sem motor), Gol, ABE-4038, Belina, ACC-8563, de Paranaguá, Escort AET-3228, de Apucarana, e a Fiorino ACR-5463. Um dos carros, além da marca do Ciai, estampava na porta o nome Proviseg – Ronda, de uma suposta empresa de segurança.

Policial

Sobre os carros, Mário só dizia que os comprara, uns há poucos meses e outros há anos. “A Ipanema comprei há quatro meses de um homem que se identificou como `Maluco’ e trabalhava no 6.º DP (Cajuru)”, disse, acrescentando que o vendedor ficou de lhe trazer os documentos do veículo, mas não o fez até hoje. A empresa, que prestaria serviço tanto à Polícia Militar quanto à Civil, estava fechada por falta de verbas. “Reabriria no próximo ano”, afirmou, mostrando jornais que teriam sido produzidos por ele, nos quais apareciam matérias sobre delegados e delegacias.

Seu relacionamento com a polícia não parava por aí, de acordo com as declarações do detido. Ele garantiu ter trabalhado como ajudante e informante da polícia, inclusive fazendo plantões em delegacias, entre elas a de Fazenda Rio Grande. Esse envolvimento na área policial foi sua justificativa para coletes e bonés oficiais, apreendidos em sua casa. Mário disse ainda que ajudava policiais de folga a fazer “bicos” como segurança de estabelecimentos. “Sempre fui um homem limpo e honesto e sempre ajudei a polícia”, declarou.

O superintendente Marcos Biali, da delegacia de Fazenda Rio Grande, adiantou que Mário será autuado por receptação e que suas informações serão todas verificadas. “Temos de avaliar o modo de operação dele e se há mais pessoas envolvidas”, disse, informando que, em princípio, ele nunca teria sido autuado. Também será apurada a legitimidade do centro, que seria presidido por Mário.