Está preso o casal acusado de torturar e matar o filho, de 1 ano e 9 meses, em Campo Largo. Gilmar Franco da Silva, 22 anos, e Vanessa Karvat Cavalheiro da Silva, 25, foram detidos na tarde de ontem, no centro do município, quando procuravam por um advogado.

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A mulher confessou que batia no bebê, mas negou que o tenha matado, embora o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) confirme que a causa da morte foram agressões.

Conforme foi apurado pela polícia, o crime aconteceu no final da manhã de quinta-feira, quando Vanessa tentava alimentar seu filho Gustavo. A mãe costumava se irritar com o filho quando ele não lhe obedecia.

“Eu perdia a paciência e dava uns tapas nele”, admitiu, com bastante frieza. Porém, desta vez, a violência foi maior. “A criança sofreu traumatismos na barriga, teve órgãos internos lesionados e afundamento na cabeça”, declarou o delegado Haroldo Davison, titular de Araucária, mas que está cobrindo férias na delegacia de Campo Largo.

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Engasgado

Gilmar não estava em casa na hora do crime, mas recebeu ligação da esposa, nervosa, dizendo que o bebê estava se engasgando com a comida. Ele diz que, quando chegou, Gustavo já estava morto.

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“Porém, as informações são que a criança estava agonizando e ele não teve atitude de pai para buscar socorro. Os dois se acovardaram e fugiram”, explicou o delegado.

O casal avisou alguns parentes, que acionaram a polícia. O bebê foi encontrado morto, na tarde de sexta-feira. Desde então, os investigadores Juscelino, Gogola e Fernando iniciaram as buscas pelos pais. Gilmar e Vanessa responderão por homicídio, tortura, maus-tratos e omissão de socorro.

Falta de paciência resolvida no tapa

De acordo com a polícia, as agressões contra a criança eram constantes, principalmente por parte da mãe. Vanessa, que está grávida e tem outra criança, de 3 anos, admitiu que tinha dificuldade em se comunicar com o bebê e que perdia a paciência quando ele não obedecia.

A mulher se disse arrependida das agressões. “Não matei o menino, ele morreu afogado com a comida”, alegou. No entanto, a certidão de óbito, emitida pelo IML, confirma que as causas da morte são “traumatismo no abdômen, ação contundente e agressão física”. Sobre o afundamento na cabeça do menino, Vanessa disse que não sabe como aconteceu.

Pai

Gilmar confessou que sabia das agressões, mas afirmou que eram esporádicas, e alegou que a mulher sofre de problemas mentais. O pai negou que batesse no bebê, mas, para a polícia, ele também é culpado do crime, porque não fez nada para impedi-lo.

“Deveria ter procurado uma psicóloga para ela”, admitiu Gilmar.O delegado contou que também vai investigar se o colégio ou o Conselho Tutelar sabiam das agressões e por que nada foi feito.