Foto: Átila Alberti

Por vender vacinas, Laudelino foi preso em flagrante por policiais do Cope.

Vacinas antigripais, destinada a idosos, eram desviadas da rede municipal de saúde de Curitiba e vendidas a clínicas particulares. O motorista da Prefeitura de Curitiba, que se identificou como Laudelino de Souza Lopes, 45 anos, foi preso em flagrante pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), quando tentava vender 400 doses por R$ 3,7 mil, menos da metade do valor de mercado.

O esquema criminoso foi descoberto quando os proprietários da Clínica Inalar, situada na Rua Padre Anchieta, Mercês, desconfiaram da oferta ?imperdível? feita por Laudelino, que se identificava como Lauro. Ele viu o carro com a logomarca da clínica e ligou. ?Ele nos ofereceu as ampolas, que renderiam dez doses, por R$ 100 cada. Se comprássemos direto do laboratório elas nos custariam R$ 220?, disse a proprietária. As ampolas eram do governo, uma vez que clínicas particulares só podem comprar kits prontos para a aplicação, com dose única.

Desconfiando de que algo poderia estar errado, os proprietários da clínica, que tem identificador de chamadas, retornaram para o telefone pelo qual Lauro fez o primeiro contato. Para espanto deles, o número era da Central de Vacinas da Prefeitura. As demais ligações foram feitas do telefone celular do golpista.

Na tarde de ontem, os proprietários resolveram atender Laudelino pessoalmente, mas por precaução, uma funcionária gravou toda a conversa. Ele contou que poderia conseguir até mil doses, mas que precisaria de cinco dias. Disse ainda que o intermediário era um homem chamado Mauro, e que a vacina era de ótima procedência. ?Além de pagar a metade do preço, vocês estarão livres de impostos, pois eu não trabalho com notas fiscais?, disse ele. Com indícios suficientes de que as vacinas eram desviadas de algum lugar, os proprietários avisaram a polícia.

Preso

Por volta das 18h30, Laudelino voltou até a clínica com uma caixa com 400 doses, mas antes de entregar a mercadoria, ressaltou. ?Precisa ser em dinheiro ou cheque para depósito, pois preciso pagar as vacinas que trago de São Paulo?. Acordo fechado, Laudelino entregou a encomenda à proprietária e contou que o preço baixo era um esquema ?por debaixo do pano?, mas que não sabia explicar, uma vez que era seu sócio, o Mauro, quem conseguia as vacinas. A conversa foi acompanhada pelo delegado do Cope Renato Bastos Figueiroa e sua equipe. Com as declarações espontâneas de Laudelino, o delegado deu voz de prisão e o golpista foi detido dentro da clínica. Ao ser algemado, Laudelino logo abriu o jogo. ?Eu vou falar a verdade. Trabalho na Central de Vacinas da Prefeitura. Essa foi a primeira vez que fiz isso e ninguém me ajuda. Trabalho sozinho. Sou motorista terceirizado da Prefeitura e pego as vacinas de dentro da Central?, disse ele.