A quadrilha, que lesou a Brasil Telecom em R$ 7,5 milhões, foi desmantelada na Operação Espectro, deflagrada por policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) na manhã de ontem.

Além de Vandré de Oliveira Araújo, 24 anos, apontado pela polícia como mentor do grupo, foram presos 16 suspeitos de ajudar da fraude e 42 beneficiários. No entanto, as investigações continuam e mais de 500 pessoas ainda podem ser indiciadas. Todos os detidos foram encaminhados para o Cope, onde serão interrogados e, possivelmente, indiciados por estelionato e formação de quadrilha.

O esquema era investigado pelo Cope desde dezembro do ano passado, quando a empresa Brasil Telecom detectou a fraude, no entanto, há indícios de que a quadrilha atuava há mais de cinco anos e tenha lesado outras empresas de telefonia.

Segundo Francisco Alberto Caricati, delegado-chefe da Subdivisão de Operações do Cope, a quadrilha era comandada por Vandré, que já trabalhou em empresas de telefonia, e agia nos três estados do Sul, por meio de uma rede de pessoas de confiança. Nove conhecidos dele, inclusive sua sogra e alguns amigos, eram os responsáveis por angariar pessoas que quisessem se beneficiar com o golpe da quadrilha.

Presos

Dentre as 59 pessoas presas até as 17h de ontem, 31 eram de Curitiba, sete da região metropolitana, nove do interior do Paraná e nove de Santa Catarina. “Todas as pessoas serão ouvidas e identificada a participação de cada uma no golpe. Dependendo da colaboração, algumas terão a prisão temporária, mas os co-autores, aliciadores e o mentor, terão a prisão preventiva solicitada, todos por estelionato e formação de quadrilha”, explicou.

Vandré foi detido em sua casa no Boqueirão. No local foram encontrados documentos, comprovantes de pagamento, dois notebooks, memórias de computador e papéis com números de telefone. Em outra casa, no Santa Cândida, foi encontrada uma central telefônica clandestina, onde grande parte das operações era finalizada.

Esquemão

Funcionários da Brasil Telecom eram aliciados por Vandré, e recebiam pagamento para fornecer senhas de acesso e de segurança de sistemas da empresa. Em seguida, pela internet, Vandré entrava no sistema, abria ordens de serviço e autorizava mudanças solicitadas pelos seus “clientes”. “As modificações nos valores das contas eram bastante significativas, chegando a ser diminuídas para R$ 0,02”, explicou o delegado.

Pelo “serviço”, os beneficiários pagavam 50% do valor devido para os aliciadores, que repassavam a metade para Vandré. “Se a conta fosse de R$ 5 mil, a pessoa pagava R$ 2,5 mil, e tinha a conta quitada junto à empresa. O valor ia para os fraudadores, principalmente o Vandré”, exemplificou o delegado.