Por muito pouco o policial civil Samir Skandar, que possui mandado de prisão contra si, acusado de liderar uma quadrilha de roubo de caminhonetas, não foi detido por policiais militares na noite de terça-feira. Embora a namorada dele negue que Skandar estivesse com ela, os policiais militares garantem que viram o foragido dirigindo um carro e o perseguiram. De acordo com o tenente Ceschin, do Regimento da Polícia Montada (RPTmont), ele e outro soldado estavam na viatura 5095 realizando patrulhamento pela região do Bacacheri quando avistaram um Audi A3, cor branca, na Rua Nicarágua. Os PMs reconheceram Skandar como o motorista do veículo e, ao seu lado, estava sua namorada.

A viatura deu início a um acompanhamento do veículo. Quando foi ligado o giroflex, fazendo sinal para o Audi parar, o condutor do carro saiu em disparada pela Rua Estados Unidos em direção ao Jardim Social. Teve início a perseguição, mas o Audi conseguiu se distanciar da viatura. Na Rua Dr. João Espíndola, o Audi entrou em uma casa de alto padrão, no número 1267. Em seguida, quando o portão eletrônico da residência já estava fechando, o carro da PM chegou. “Tenho certeza que vi Samir sair correndo para dentro da casa. Enquanto isso, a mulher dele com uma criança no colo veio em direção ao portão para nos atender”, explicou o tenente, que além de conhecer o policial foragido, também já conhecia a moça de 22 anos, atual namorada de Skandar, com quem tem um bebê de 9 meses.

A casa foi invadida e vasculhada, mas o foragido não foi localizado. Os policiais militares apreenderam dentro da residência jaquetas e coletes da polícia civil, vários coldres e uma pistola com a numeração raspada, além de fotos do policial civil com parentes e amigos. A mulher de Skandar foi levada ao 5.º Distrito (Bacacheri) para prestar esclarecimentos.

Versão

O advogado do policial, Figueiredo Basto, esteve no distrito e confirmou que o material apreendido pertence ao seu cliente e não à namorada dele. “Ele ainda é um policial civil, não foi exonerado da corporação. É normal encontrar o material de um policial em sua residência”, disse o advogado. Para ele, os policiais militares cometeram abuso de autoridade. “A família do meu cliente não tem nada a ver com os problemas dele com a Justiça.

Quadrilha desarticulada

O policial civil Samir Skandar, 46 anos, teve o mandado de prisão decretado em outubro do ano passado. Desde então, Skandar, que estava lotado na delegacia de Pinhais, está foragido. Ele é acusado de liderar uma das maiores quadrilhas de roubo de camionetas do Paraná, que atuava também em Santa Catarina. A organização vem sendo desbaratada pela polícia.

No dia 10 de outubro de 2002, uma força-tarefa da PIC prendeu dez pessoas acusadas de integrar a quadrilha: Luciano Carlos Arruda, mais conhecido como “Porquinho” ou “Lupe”, 23 anos, César Brunetti, o “Queixada”, de 26, Josenei Lemos da Silva, o “Josi”, Sueli do Rócio Bordejaco, 39 anos, Naureceli Carina Silveira, Lucélia de Olivera Correa, Gisele Dilian de Souza e Luciana Dilian de Souza, todos com mandados de prisão. Na mesma operação foram presos em flagrante o despachante João Luiz Viana Nunes, que estava com uma camioneta com chassi adulterado, uma série de selos de chassis e recortes de lataria, e o comerciante Ivandro André Weiss, preso por porte ilegal de armas, que estava com um pistola com o número lixado.

Baixas

A quadrilha sofreu outra baixa em janeiro deste ano, quando comparsas de Skandar foram mortos pela polícia no litoral de Santa Catarina. Morreram na ação os Hércules Lemos da Silva, Paulo Roberto Alexander Prosdócimo, e Josenei Lemos da Silva, irmão de Hércules, que havia fugido da prisão. Ficou ferido com quatro tiros no peito o assaltante Paulo Roberto Prosdócimo Filho”.

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