Fábio Alexandre
Fábio tentou se esconder em uma casa, mas foi encontrado.

Moradores do Jardim Acrópole, no Cajuru, afirmam ter visto Fábio André Pereira Soares, 18 anos, ser levado vivo e algemado para dentro de uma viatura policial, pouco antes das 16h de ontem. Não muito tempo depois, receberam a informação que o jovem estava morto e reconheceram o corpo dele, com marcas de agressão e tiros pelo corpo, no Instituto Médico-Legal.

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A família acusa policiais militares do 20.º Batalhão de terem matado ?Fabinho?, como o rapaz era conhecido no bairro. As mesmas testemunhas ainda disseram ter visto um irmão e amigos dele serem torturados pelos policiais, no meio da rua.

?Fabinho?, conforme contou seu irmão Gilmar Pereira Soares, 25, já esteve recolhido, este ano, na Delegacia do Adolescente. Por causa disso, os moradores da região passaram a acusar o rapaz de ser o culpado de tudo que era furtado no bairro. Também, segundo a família, policiais andavam ?na cola? do rapaz, que sempre se escondia quando avistava uma viatura.

Tanque

Na tarde de ontem, contou Gilmar, um homem chegou até a casa da família, acusando ?Fabinho? de ter roubado um tanque de lavar roupa. O homem chamou a polícia, que chegou logo em seguida na casa, na Rua Jair de Souza Lima. O suspeito se escondeu numa casa da Rua Joaquim Morotti, na quadra seguinte. Conforme os relatos, os policiais o encontraram e algemaram e torturaram o rapaz no quintal da casa. Segundo uma moradora, que tem medo de se identificar, os PMs já chegaram na rua atirando.

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Gilmar chegava em casa, quando viu a confusão. Ele disse que foi ajudar o irmão, e também foi algemado e torturado, junto com seus amigos, na rua, com diversos moradores assistindo. Gilmar acusa os policiais de colocar sacos plásticos na cabeça das pessoas, até perto de elas desmaiarem, a exemplo do que é mostrado no filme Tropa de Elite. Enquanto isso, ?Fabinho? era trazido para a rua e teria sofrido nova agressão. Eles contaram que, enquanto ?Fabinho? levava uma coronhada acima dos olhos, a arma do policial disparou e acertou outro policial, que teve ferimentos leves.

Peladeiro

Vizinhos e o pai dos irmãos, Darci Soares, disseram que, poucos minutos depois de ?Fabinho? ser levado, todos ouviram tiros vindos do Parque Peladeiro. Eles acreditam que o jovem tenha sido morto lá, lentamente, com um tiro a cada intervalo de um ou dois minutos. No IML, a família constatou grama no pescoço e terra na boca do jovem, como se ele tivesse sido torturado.

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Familiares e testemunhas alegam que a ocorrência foi atendida por viaturas do Projeto Povo e serviço reservado do 20.º BPM. Uma das testemunhas, ficou escondida atrás da cerca de sua casa, anotando as placas e numeral das viaturas. Mesmo com medo, a família pretende denunciar os policiais depois do velório.

PM diz que houve confronto

Márcio Barros

Segundo informações da Sala de Imprensa, um morador da Rua José Manoel de Lima, no Jardim Acrópole, chamou a Polícia Militar, porque havia encontrado em uma casa próxima à sua um tanque de madeira, que havia sido furtado de sua residência, no dia anterior. Por volta de 14h15 de ontem, uma equipe da 2.ª Companhia do 20.º Batalhão chegou à casa de Fábio.

De acordo com o boletim de ocorrência, ?Fabinho?, ao perceber a presença da polícia, atirou contra a equipe e tentou fugir pelo terreno dos fundos. O policial Igor foi atingido com um tiro na cintura, que acertou a fivela de seu cinto. Ele foi socorrido ao Hospital Cajuru e liberado em seguida.

Cerco

Outras equipes foram acionadas para cercar o mato para onde o rapaz teria fugido. No entanto, segundo a PM, ele teria conseguido atravessar a BR-277 e chegar até a Invasão Icaraí, no Uberaba, onde foi alcançado e, novamente, teria atirado contra os policiais e ferido, no revide. ?Fabinho? foi socorrido pelos próprios policiais e chegou com vida ao Hospital Cajuru, morrendo em seguida, de acordo com informações do boletim de ocorrências da PM.

Os policiais envolvidos e a aspirante tenente Manuela, comandante de Policiamento da Unidade (CPU), foram procurados, mas não foram localizados, no entanto, o major Rota da Purificação, comandante do 20.º BPM, disse que a PM vai se pronunciar ainda hoje sobre o caso.