Sindicatos ligados aos servidores da Polícia Civil do Paraná e dos agentes penitenciários do Estado dizem-se tranquilos com a declaração de ontem do governador Roberto Requião (PMDB), em Londrina.

Na ocasião, Requião afirmou que todos os agentes penitenciários e servidores da Polícia Civil seriam demitidos caso os movimentos de greve continuassem. O anúncio, pelo contrário, deixou a classe ainda mais forte para concretização de uma futura paralisação por tempo indeterminado.

De acordo com André Luis Gutierrez, presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol), o policial civil enfrenta situações perigosas diariamente, por isso não ficará com medo da declaração do governador.

“O que ele disse só nos fortalece. Dentro da lei ele pode fazer o que quiser, mas não é o caso. A lei diz que o policial civil tem direito à greve. Por isso, o nosso movimento não pode ser considerado ilegal”, afirma.

Para o presidente o Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol), Ademilson Alves Batista, a categoria seguirá com a mesma programação. “Nada muda, pois para demitir um funcionário é necessário comprovação de um erro disciplinar, o que não está acontecendo. A demissão de um servidor público deve ser feita conforme manda a lei. Não estamos no tempo da ditadura”, rebate.

No próximo dia 10, os policiais civis farão outra assembleia geral, na qual decidirão sobre a realização de uma greve por tempo indeterminado. “Se a categoria decidir pela greve, o sindicato tem o dever e a soberania de apoiar tal decisão”, diz Gutierrez.

Agentes

No caso dos agentes penitenciários, o anúncio do governador também não trouxe medo. “Essa declaração não impedirá que lutemos por melhorias em nosso trabalho”, afirma o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindaspen), Clayton Agostinho Auwerter.

No último dia 21, uma liminar impediu que os agentes entrassem em greve naquele dia. No entanto, Auwerter diz que o departamento jurídico do Sindaspen já está trabalhando para derrubar o documento.

“Essa medida é frágil e irá cair. Logo que conseguirmos isso a categoria irá parar. É preciso notar uma coisa: não somos apenas nós em greve, inúmeras categorias estão descontentes com Requião. É fácil perceber quem está errado”, ressalta.