A polícia de Piraquara começou a desmantelar a “gangue do Batata”, que vem aterrorizando a região da Rua Betonex, na Planta São Mateus. Um arrastão realizado pelos policiais na área resultou na prisão de Leandro Carlos de Souza, o “Psico”, 20 anos. Na mesma operação foi preso Carlos André de Souza, o “Manso”, também com 20 anos, foragido do xadrez da DP.

“Psico” estava bebendo em um bar da Rua São José quando foi encontrado. Levado à delegacia, confessou dois homicídios recentes, que a polícia já sabia serem ligados à “gangue do Batata”. O superintendente Edson Costa calcula que pelo menos seis dos nove assassinatos ocorridos na região, somente neste ano, foram praticados por integrantes do bando. Eles costumam matar usando paus, pedras e facões, estraçalhando as vítimas. Além dos dois homicídios confessados, “Psico” foi reconhecido como autor de dois estupros ocorridos recentemente, disse o delegado Joel Bino de Oliveira.

O criminoso assumiu também a autoria do assassinato de Valmir Oliveira Santos, o “Japonês”, 33 anos. O crime ocorreu na madrugada de 1.º de julho, na Rua Betonex. “Psico” disse que a vítima ameaçava matá-lo. “Eu encontrei ele no bar. Antes que me matasse, dei umas ripadas nele”, contou. “Nem me lembro o nome, mas fui eu mesmo. Antes ele do que eu”, acrescentou. O corpo de “Japonês” foi encontrado dentro de uma valeta, com o rosto desfigurado pelas pauladas.

Escalpelado

“Psico” também admitiu a autoria do homicídio que vitimou Carlos Eduardo Ramos Dias, o “Carlão”, 24 anos, em 15 de junho deste ano. A vítima foi encontrada em uma valeta com parte da pele do rosto e do couro cabeludo arrancados. O crânio e a arcada dentária ficaram à mostra, envolvidos na massa de sangue seco, e o corpo submergiu na lama. “Foi briga de bar. Ele também queria me matar”, defendeu-se o assassino. “Mas eu só dei umas pauladas nele. Não arranquei couro cabeludo nenhum. Aquilo deve ter sido coisa de cachorro”, disse.

Ele garantiu que não tem nenhuma participação nos outros homicídios, apesar de conhecer os demais suspeitos de integrar a “gangue do Batata”. Também negou que tenha estuprado uma moça, no último final de semana, e outra mulher há aproximadamente um mês. “O que eu faço assumo e estou aqui para pagar pelos crimes”, assegurou o rapaz, que já esteve preso por roubo. Quanto ao apelido de “Psico”, explicou que não tem nada a ver com psicose ou algo semelhante. “É por causa das roupas que uso”, justificou.

O delegado de Piraquara informou que há aproximadamente três semanas deteve “Psico” e solicitou a sua prisão à juíza de Piraquara, mas o pedido foi negado. “Já informamos a juíza sobre a prisão dele. Se ela deferir o pedido, ele permanece no xadrez e a população do Jardim Holandês poderá ter um pouco de tranqüilidade, caso contrário, Leandro retorna às ruas”, explicou o policial.

Ele disse que os policiais continuam os trabalhos para prender os outros integrantes da gangue. Dois deles estão identificados pelos apelidos de “Tititi” e “Donizete”. O líder, Nilson de Avelar, conhecido como “Batata”, 22 anos, já está atrás das grades. Indiciado por homicídio, “Batata” foi reconhecido como autor do assassinato de Fábio Isaías Borges, 17 anos a pauladas e garrafadas, em março deste ano.

Foragido

Também preso na batida policial de terça-feira à noite, em um bar da Rua Betonex, Carlos André Souza, o “Manso”, havia escapado da delegacia de Piraquara em dezembro do ano passado. Ele é condenado por roubo. “Era um dos últimos que faltava pegar daqueles que fugiram em dezembro”, contou o superintendente Costa.

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