Setores de inteligência das polícias do Paraná e São Paulo impediram a fuga de 70 membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP I), ontem. Eles já tinham conseguido cavar um túnel de cerca de 10 metros, que saía de uma das celas e terminava no gramado do pátio de sol. A intenção dos presos, segundo o secretário de segurança Fernando Francischini, era simular rebelião, para distrair polícia e facilitar a evasão.

Policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) entraram na PEP I, durante a madrugada de quarta-feira, e identificaram todos os envolvidos na fuga, incluindo os que falsamente se rebelariam. Investigações continuam para saber se havia conivência interna de funcionários, já que a terra retirada era acumulada em sacos, dentro da cela, e não foi vista por agentes penitenciários.

Logística

Também haverá investigação para saber quem eram os responsáveis pela logística, já que seriam necessários veículos, para dar fuga a tanta gente. A maioria dos fujões, de acordo com o secretário, era de assaltantes e traficantes.

A fuga teria sido planejada por celular. Para impedir esse tipo de comunicação o secretário anunciou o bloqueio do sinal de celular dentro nas penitenciárias, para daqui a alguns meses. Apesar de reiterar que o Estado está “quebrado”, e que o equipamento são muito caros, disse que é um projeto sigiloso e contará com parcerias.

PCC

Francischini foi o primeiro secretário de segurança a dimensionar publicamente a quantidade de faccionados dentro dos presídios paranaenses. Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, ele revelou que são 1,1 mil integrantes do PCC em presídios, equivalente a 6,1% dos cerca de 18 mil presos em penitenciárias (sem contar os outros 10 mil presos em delegacias). “Não adianta eu falar de ressocialização para ele porque ele é profissional do crime. Botou o pé na rua, vai assaltar, matar, traficar”, disse Francischini.