Preso, Cláudio se disse inocente.

"Esse é o maior desmanche de veículos estourado pela polícia nos últimos anos." Assim o delegado Ronald de Jesus, da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), classificou a apreensão feita ontem à tarde na Avenida Marginal à BR-476, sentido sul, na Vila Fanny. No local funcionava a loja Claumont Comércio de Peças, de venda de autopeças. Em dois terrenos pertencentes à empresa e situados ao lado da loja foram encontradas peças de carros, principalmente capôs de veículos, sem os sinais identificadores, em situação irregular. O proprietário do estabelecimento, Cláudio Montine, e dois funcionários, foram presos em flagrante por adulteração e encaminhados à DFRV.

De acordo com o delegado, no início da vistoria já foi constatada uma situação irregular. Em um dos terrenos onde estavam guardadas diversas carcaças e peças de veículos, os policiais encontraram funcionários da loja quebrando o vidro de um Vectra e se preparando para fazer o corte do veículo. As placas identificadoras com a numeração de chassi e demais itens de segurança já haviam sido retirados.

Ao lado do carro foram encontradas as ferramentas usadas para o corte: marreta, serra e uma micha. "São ferramentas estranhas para o tipo de trabalho que deveria ser realizado aqui. Num local de trabalho decente não teria isso", afirmou Ronald. O delegado fez questão de mostrar as dezenas de capôs de veículos cortados que estavam no pátio da loja. "Se fosse para comercializar de maneira correta, o teto do carro deveria ser serrado com a coluna inteira, para aparecer os sinais identificadores. Mas aqui, eles cortam do meio para cima da coluna. Assim, a peça fica sem os identificadores e não há como saber a procedência. Os vidros também são quebrados porque podem identificar o carro", explicou.

Segundo os policiais, o que caracterizou o flagrante foi o achado do Vectra – em fase de corte e com a placa de identificação do chassi queimada, não revelando a numeração.

Terreno

Durante a vistoria, os policiais encontraram um outro terreno repleto de carros cortados, aparentemente seminovos, e sem os sinais identificadores. As sucatas encontradas seriam as partes dos carros que não poderiam ser comercializadas e por isso eram jogadas nesse terreno, como entulho. No local havia mais de 100 carros cortados de diversos modelos. O delegado acredita que a grande maioria das carcaças localizadas são de carros furtados ou roubados em Curitiba. As peças vão ser encaminhadas para a perícia.

O proprietário da loja de autopeças foi preso em flagrante por adulteração, cuja pena varia de três a seis anos. Ele alegou inocência e disse que trabalha naquele local há mais de 18 anos. "A polícia faz vistorias permanentes aqui e durante todos esses anos não encontrou nada de irregular. Acho que está havendo um engano e vou provar na Justiça", afirmou. O advogado dele, Antônio Henrique Rabelo de Melo, acompanhou o momento da prisão e apresentou alguns documentos em defesa de seu cliente. "Tudo será esclarecido. Inicialmente não vejo nenhuma irregularidade", disse.

DFRV intensifica fiscalização

Esse foi o segundo desmanche fechado pela Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) esta semana. Além da Claumont Comércio de Peças, uma outra loja foi "estourada" na tarde de quinta-feira, na Vila São Pedro, Xaxim. O delegado Ronald de Jesus disse que a DFRV vai intensificar as batidas policiais nos estabelecimentos de autopeças para tentar inibir a ação de marginais e diminuir o índice de furtos e roubos de carros na capital paranaense. "Os desmanches são os receptadores. Pretendemos, com essas ações, baixar o número de 40 ocorrências (furtos e roubos de carros) diárias para 15." De acordo com o delegado, a loja de autopeças estourada é a maior desde as grandes apreensões em desmanches feitos na época em que Paulo Mandelli mantinha estabelecimentos do gênero em Curitiba. Mandelli, considerado o "rei dos desmanches", tem prisão decretada e está foragido há mais de três anos.