A Polícia Federal (PF) prendeu nove pessoas, na manhã desta sexta-feira (11), durante a Operação Muralha, cujo objetivo é desarticular uma quadrilha de tráfico internacional de entorpecentes, composta por membros de diversas nacionalidades. Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos em seis Estados, dois deles na região de Paranaguá, no litoral paranaense. A operação, que também foi executada nos Estados de São Paulo (Capital, Santos e Marília), Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará e Santa Catarina, envolve 150 policiais federais, que irão cumprir 37 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão.

De acordo com a PF, as investigações começaram há um ano e meio e apontaram que a quadrilha é liderada a partir do presídio de Itaí, no interior de São Paulo, por um colombiano, preso pela PF em 2002 na Operação Mar Aberto. A organização possuía estrutura empresarial, hierarquicamente dividida em três escalões, e era composta por brasileiros, colombianos, bolivianos, peruanos, paraguaios, africanos e um chileno.

No Paraná, os detidos (um brasileiro e um filipino), que faziam parte do quarto escalão da organização, eram responsáveis por fazer o primeiro contato com tripulantes que atracavam no porto de Paranaguá. De acordo com o delegado da PF no município, Beno Loewnstein, os detidos orientavam tripulantes, cuja embarcação teria o porto de Santos como destino, a receptar a droga no litoral paulista.

"Como em Paranaguá tem muitos navios que também vão pra Santos, eles passavam informações sobre onde e com quem a droga estaria para ser embarcada para o exterior", afirma o delegado.

A droga, segundo a PF, vinha da Bolívia, Colômbia, Peru e Paraguai e fazia conexões em vários Estados brasileiros, seguindo para países da União Européia, como Portugal, Espanha, Reino Unido, Holanda, França, Itália e Bélgica, além de países da África. A droga direcionada ao mercado exterior tinha, como principal meio de transporte, navios estrangeiros que saíam de diversos portos brasileiros, principalmente do Porto de Santos.

De acordo com a PF, um dos escalões da organização criou uma empresa de fachada na área de viagens e turismo na cidade de Governador Valadares, em Minas Gerais, a fim de obter empréstimos em instituições financeiras para subsidiar as ações do tráfico. Os integrantes desse escalão serão indiciados pelos crimes de financiamento ou custeio ao tráfico e associação para financiamento ao tráfico, com penas que, somadas, atingem 30 anos de reclusão.

A Operação Muralha é a etapa final da ação, que já resultou em 81 prisões em flagrante, apreensão de cerca de uma tonelada de cocaína, mais de uma tonelada de maconha e US$ 56.000 dólares americanos, além da prisão em flagrante de 110 traficantes.