A Polícia Federal vai abrir outras frentes de apuração para investigar a lavagem de dinheiro entre os suspeitos presos na Operação Pasárgada, que desarticulou um esquema de liberação irregular de verbas bloqueadas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para cidades em débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O delegado Jerry Antunes de Oliveira sinalizou nesta sexta-feira (11) que a investigação será desmembrada. A PF informou que 25 imóveis pertencentes aos suspeitos já foram seqüestrados por ordem judicial, sendo 22 em Minas. Os seqüestros envolveram ainda uma casa em São Paulo, uma fazenda na Bahia e um outro imóvel no Distrito Federal. Também foram bloqueadas 13 contas e aplicações financeiras. A operação também apreendeu dezenas de veículos e dois aviões, que seriam de propriedade de um lobista.

O prefeito de Juiz de Fora, Carlos Alberto Bejani (PTB), preso temporariamente durante a operação, terá um prazo de 120 dias para explicar a origem de R$ 1,12 milhão em espécie que foram apreendidos em sua residência durante as buscas da PF.

O delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Alessandro Moretti, disse ontem que existem "evidências claras" de que o montante apreendido tem "origem ilícita". Segundo ele, caberá ao prefeito provar que o dinheiro não é fruto de operação criminosa.

"A Lei de Lavagem de Dinheiro prevê a inversão do ônus da prova", ressaltou. "Não é a polícia ou o Ministério Público que tem de provar que aquele dinheiro é lícito. É a parte que tem de provar."

Nesta sexta-feira (11), após receber um comunicado oficial da PF sobre a prisão temporária de Bejani, o vice-prefeito de Juiz de Fora, José Eduardo Araújo (PR), assumiu o Executivo municipal. A Câmara Municipal já decidiu pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o prefeito pelas suspeitas de liberação indevida de recursos do FPM, desvio de verba pública e enriquecimento ilícito.

O advogado de Bejani, Marcelo Leonardo, já disse que só irá se manifestar após ter acesso ao inteiro teor do inquérito. Leonardo afirmou também que não pretende entrar com um habeas-corpus e seu cliente irá cumprir os cinco dias da prisão temporária.