A localização geográfica do Paraná, por conta da tríplice fronteira (formada pelo Brasil, Paraguai e Argentina), transformou o Estado na principal porta de entrada de drogas provenientes desses dois outros países, principalmente o Paraguai. De acordo com o 181 Narcodenúncia, da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), do início do ano até a última quinta feira, foram apreendidos no Paraná 117 quilos de cocaína, 787,4 mil pedras de crack e outras 13,2 toneladas de maconha. Para chegar a essa quantidade, foram unidas as apreensões feitas pela Polícia Militar do Paraná, Polícia Civil do Paraná e Polícia Federal.

De acordo com o tenente Edivan Fragoso, do 181 Narcodenúncia, as drogas vindas da região de fronteira do Estado são trazidas a Curitiba e levadas para o litoral do Paraná e de Santa Catarina. “Além desse caminho, as drogas também descem pela região sul do Estado, aproximadamente em Francisco Beltrão, e são levadas para o interior de Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, explica. Outra rota utilizada pelos traficantes envolve as cidades de Maringá e Cascavel. “Essas duas cidades são utilizadas pelo tráfico para levar as drogas para o interior de São Paulo”, ressalta.

Segundo o 181 Narcodenuncia, as apreensões contabilizadas pelo sistema geraram 1.661 prisões em todo o Estado. Para Fragoso, a participação da população é essencial. “Grande parte das apreensões e prisões feitas no Paraná partem de denúncias recebidas pelo telefone 181. Elas ficam centralizadas em um sistema que os órgãos capazes de fazer essas apreensões têm acesso”, explica.

Estradas

Na maioria das vezes esse tráfico é feito pelas rodovias estaduais ou federais que cortam o Paraná. Segundo dados mais recentes da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), apenas em 2010 foram apreendidos 272,7 quilos de crack, 28,1 toneladas de maconha e 148,5 quilos de cocaína.

Segundo o tenente Sheldon Vortolin, inspetor da PRE, o maior desafio é encontrar quem trafica e onde as drogas são escondidas nos caminhões e automóveis parados durante as blitze. “Normalmente as drogas ficam escondidas em fundos falsos, que descobrimos através de uma checagem minuciosa ou por meio de cães farejadores. Como se isso não bastasse, eles tentam apelar, colocando entorpecentes em carros pequenos, envolvendo pessoas de idade, famílias e até mesmo crianças, sempre na tentativa de enganar o policial”, conta.

Outra tática utilizada pelos traficantes é a utilização de um carro batedor, que alerta o caminhão carregado com drogas de possíveis operações das polícias rodoviárias. “O carro vem na frente para saber se tem blitz ao longo da rodovia. Caso tenha, ele entra em contato com o motorista que encosta ou segue por um caminho alternativo. Outros traficantes ainda nos ligam avisando que existe um acidente, mobilizando assim a nossa equipe para uma ocorrência falsa”, conta o inspetor Eliel Weis, chefe do Núcleo de Policiamento e Fiscalização da PRF de Cascavel, uma das regiões com maiores índices de apreensão de drogas.

Em Curitiba, a palavra de ordem é prevenção

Em Curitiba, segundo a Secretaria Municipal Antidrogas, as políticas públicas contra o consumo e tráfico de drogas são baseadas na prevenção. Em virtude da II Semana Antidrogas de Curitiba, várias ações aconteceram ao longo da semana com objetivo de alertar crianças e adolescentes sobre o perigo das drogas. Segundo o secretário municipal Antidrogas, Nazir Abdalla Chain, é preciso combater o problema desde cedo. “Temos diversos programas que atuam nas áreas mais atingidas pelas drogas em Curitiba. Trata-se do projeto Bola Cheia, Cão Amigo, dentre outros, nos quais alertamos, através de palestras, brincadeiras lúdicas e cartilhas, o risco envolvido no consumo de drogas”, diz. Segundo ele, bairros populosos são os mais preocupantes, tais como a Cidade Industrial de Curitiba (CIC), Sítio Cercado e Cajuru.

Para que essas ações sejam eficazes, Chain frisa a importância de parcerias com muni,cípios da região metropolitana. “Temos um convênio com 17 cidades próximas de Curitiba. Por meio dessa parceria, coletamos informações sobre onde existe o consumo e abuso de drogas, para então ir até essas regiões aplicar políticas públicas de combate às drogas”, diz. As ações da II Semana Antidrogas de Curitiba continuam hoje, no Parque Barigui. “Lá todos os programas da secretaria estarão disponíveis para a população”, adianta.

Secretaria se articula no enfrentamento das drogas

Caso as drogas cheguem realmente aos seus destinos, a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Seju), por meio da Coordenadoria Estadual Antidrogas (Cead), articula órgãos que trabalham no enfrentamento das drogas. Para a coordenadora estadual do Cead, Sonia Alice Felde Maia, é preciso apostar as fichas nas políticas estratégicas contra as drogas. “A população em sua maioria não é usuária de drogas. Por isso, temos que trabalhar na prevenção dentro de três instâncias”, afirma.

Segundo ela, a primeira instância é voltada ao indivíduo que nunca teve contato com as drogas. “Nesse caso temos que trabalhar bastante com a família, ensinando e dizendo que ela é responsável pelo seu filho. Para começar, a família deve estabelecer regras claras sobre o consumo de drogas licitas (álcool e tabaco). Os pais são modelos de referência”, diz.

As ações do segundo plano são para aqueles considerados usuários ocasionais. “Trata-se de uma prevenção voltada aos adolescentes. A família nesse caso deve saber o que ele faz e com quem anda. Não existe fórmula mágica, mas a troca de ideias é essencial”, explica. Já na terceira instância, com dependente químico, é preciso focar no tratamento, onde ele encontra objetivos de vida e razões para se reinserir socialmente”, diz. As ações foram discutidas ao longo da última semana, em razão da XV Semana Estadual de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas.