Covardia

Padrasto ciumento mandou matar o menino Gabriel

Dois irmãos foram presos e confessaram o assassinato de Gabriel Henrique Vieira, 13 anos, a mando do padrasto do garoto, Davi Moraes Mendes, 32, que está foragido. O menino foi morto a punhaladas, na manhã de 12 de setembro, num terreno baldio a caminho da escola, no Umbará. As prisões aconteceram em Coronel Vivida, no Sudoeste do Estado, no início da noite de terça-feira. O delegado Rubens Recalcatti, da Delegacia de Homicídios, descartou a participação da mãe da criança no crime.

Os suspeitos da barbárie, Valdinei Lúcio, 20, o “Nenê”, e Sidney Lucio, 23, o “Ney”, conhecidos como paraguaios, aceitaram matar o adolescente em troca de um Santana de R$ 4 mil, que está na oficina. Os dois haviam sido detidos com crack, pela Polícia Militar, no dia do crime. Um deles portava o telefone celular da criança, mas a polícia não sabia que era o aparelho da vítima.

Casa

Conforme as investigações, o padrasto arquitetou a morte do menino por ciúmes de Gabriel. Davi foi expulso de casa após ameaçar o garoto de morte. O homem pretendia ficar com casa, no valor de R$ 600 mil, onde Gabriel morava com a mãe. O pai do menino morreu de hepatite e deixou o imóvel de herança.

O crime foi esclarecido em menos de 24 horas, segundo Recalcatti. Logo depois que o corpo foi encontrado, o padrasto e a mãe do garoto foram levados à delegacia. Davi demonstrava indiferença e, de acordo com o delegado, era evasivo em seus depoimentos. Negou brigas com o garoto, mas confessou que a “vítima atrapalhava”.

Ele sumiu após ser espancado por conhecidos, mas reapareceu e foi ouvido novamente na DH. “Em poucos dias, o caso estava esclarecido com a coleta de informações e foram identificados a motivação e os autores do crime”, esclareceu o delegado.

Prova

Anteontem, investigadores da DH viajaram até Coronel Vivida, onde os irmãos moravam antes de trabalhar em Curitiba. Valdinei e Sidney fugiram de ônibus, com a ajuda da família, e foram presos na frente do pai, quando voltavam do trabalho, no corte de pinus. Com eles, a polícia encontrou o celular do menino. A arma do crime não foi localizada.

Sai à procura de matadores

O delegado Rubens Recalcatti, da DH, explicou que o crime foi articulado há pelo menos quatro meses, quando Davi saiu de casa. Mesmo assim, ele e a mãe de Gabriel continuavam a se encontrar. “Ele andava com a carteira escolar com a foto do garoto, procurando alguém que pudesse matá-lo”, contou Recalcatti. Os irmãos conheceram o padrasto, num bar, no Pinheirinho, um dia antes do crime e aceitaram o “serviço”.

A crueldade e a ânsia de matar eram tão fortes que o padrasto escreveu um bilhete, que deveria ser colocado sobre o corpo do enteado.

O recado com ofensas tinha um palavrão seguido da frase: “passe a mão na bunda da tua mãe agora!”, deixando claro, segundo o delegado, o ciúme que Davi tinha de Gabriel.

Carreiro

Os irmãos surpreenderam o garoto no atalho para a escola e perguntaram onde morava Davi. Gabriel apontou na direção da casa do ex-padrasto e foi dominado pelos assassinos. Um deles segurou o garoto enquanto o outro o apunhalava. O menino tentou correr dos criminosos, mas caiu e ficou segurando o capim enquanto era atacado pelos matadores, que tentaram degolar o garoto. Ao todo foram oito golpes na barriga e pescoço.

Romance começou no box

Davi trabalhava no box da Ceasa dos pais de Gabriel e começou um romance com a mãe do menino, mesmo antes de o pai dele falecer, há cerca de seis anos.

Depois que o pai de Gabriel morreu, Davi foi convidado a morar na casa do menino, que tem dois irmãos. Gabriel tinha apenas 8 anos na época e uma aversão grande ao novo namorado da mãe, tanto que a família era contra o novo relacionamento da mulher.

Na rua

Davi, segundo a polícia, foi convidado a se retirar de casa depois de ameaçar o menino com uma faca. “Ele perdeu espaço, conforto, mulher e c,omeçou a arranjar alguém para matar o garoto”, supôs  o delegado Rubens Recalcatti, da Delegacia de Homicídios.

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