Mais um acidente envolvendo uma composição da América Latina Logística (ALL/Delara) foi registrado na tarde de ontem. Desta vez o atropelamento, que resultou na morte do transeunte Valdevino Pacheco Guimarães, 48 anos, ocorreu quase no cruzamento da Rua Amador Bueno com a linha férrea, no bairro Centenário. O acidente aconteceu por volta das 15h40 e é o terceiro que envolve máquinas da ALL/Delara em menos de um mês. Nos dias 13 e 16 de julho, outros dois episódios deixaram o saldo de um maquinista morto e três pessoas feridas.
De acordo com João Norberto Laudelino, que afirma ter testemunhado o acidente, a vítima estava andando à beira do trilho e apesar do buzinaço feito pelo trem, não mudou sua rota. No local, alguns moradores comentaram que a vítima tinha problemas de audição, o que explicaria o motivo de não ter se afastado do trilho mesmo com o insistente barulho produzido pela buzina de aviso.
Com o impacto, o corpo foi jogado cerca de dez metros e ficou caído ao lado da linha férrea, bem próximo à Rua Amador Bueno, importante via que cruza a região do Centenário. O Siate foi acionado, mas ao chegar no local somente pôde constatar o óbito.
A composição, formada por três locomotivas e 29 vagões carregados com combustível, farelo e soja, somente parou cerca de cem metros de distância do acidente. Segundo informações de seguranças da ALL/Delara que estavam no local, o trem havia saído do terminal do Iguaçu e tinha como destino a cidade de Paranaguá.
O atropelamento chamou a atenção de vários moradores da região, que se aglomeraram para ver e obter mais informações. A situação foi controlada com a chegada de policiais militares do Regimento de Polícia Montada (RPMont). Enquanto alguns moradores se preocupavam com a falta de sinalização na área, outros demonstravam medo de que o acidente pudesse causar o fechamento definitivo da Rua Amador Bueno. A via, de acordo com alguns integrantes da associação de moradores da região, é importante para a prosperidade e desenvolvimento do comércio da área.
Esclarecimento
Em uma nota à imprensa a ALL/Delara esclarece que o maquinista acionou o apito, conforme procedimento operacional, porém a vítima continuou caminhando e o trem não parou a tempo. A ALL, em seu aviso, também alerta sobre a importância do cumprimento de um acordo firmado entre a empresa e Prefeitura de Curitiba no ano passado, que visa o fechamento das passagens das ruas Amador Bueno e José Giostri Sobrinho e a abertura de outros dois cruzamentos próximos para melhorar a segurança dos que trafegam pela região.
Acidentes
Em maio deste ano, um garoto morreu e algumas pessoas ficaram feridas quando um ônibus atravessou a passagem irregular da Rua José Giostri Sobrinho, local próximo ao acidente registrado ontem.
No dia 13 de julho, seis vagões de uma composição da ALL/Delara descarrilaram quando faziam o percurso Curitiba-Rio Branco do Sul. O acidente resultou na morte do maquinista Aguinaldo Wisentainen, 43 anos, e o auxiliar dele teve ferimentos. Três dias mais tarde, duas pessoas saíram feridas quando tentavam atravessar o pátio de manobras da empresa, no bairro Boqueirão. O acidente aconteceu quando as vítimas, Mariléia Onório, 31 anos, e o filho dela, Eder Gabriel, 4, passavam entre dois vagões de um trem que estava estacionado. Segundo testemunhas, no momento da travessia, o trem se movimentou e as vítimas acabaram parando debaixo do rodado do trem. O acidente só não foi mais trágico porque pessoas que estavam no pátio alertaram o maquinista sobre o acidente.


