A morte da pequena Márcia Constantino, 10 anos, no mês passado, em Maringá, noroeste do Estado, deve servir de alerta para os pais. A menina brincava no pátio de uma igreja e foi atraída por Natanael Búfalo, que freqüentava os cultos e era conhecido da garota e da família. Para convencê-la a acompanhá-lo, disse que iriam até sua casa buscar um bolo. Márcia foi violentada e depois assassinada. Segundo dados divulgados pela Centro de Combate à Violência Infantil (Cecovi), 90% das agressões de abuso sexual são cometidas por pessoas conhecidas das crianças. A situação leva a crer que pais e filhos precisam de mais orientação.
Segundo o delegado-chefe da polícia civil de Maringá, Antonio Brandão Neto, o acusado confessou o crime e contou que atraiu a criança com a promessa de buscar o bolo. Essa situação vai de encontro com o que revelam as estatísticas. A maioria das agressões contra crianças são praticadas por pessoas que pertencem ao seu círculo social. Segundo a presidente do Cecovi, Maria Leolina Couto Cunha, os pequenos são inocentes, não sendo muito difícil persuadi-los. ?Eles confiam nos adultos?, disse.
Por isso, existe a necessidade de orientar bem as crianças. Muitas vezes os pais apenas falam para que elas não conversem com pessoas estranhas, mas o agressor pode estar perto ou dentro de casa. Cerca de 60% dos casos de abuso são cometidos por pessoas conhecidas da família e outros 30% pelos próprios pais.
Além disso, o fato de Márcia estar brincando no pátio da igreja fez com que os pais se sentissem seguros. ?As pessoas confiam nas outras que freqüentam o mesmo grupo social. Acham que estão seguras porque estão dentro do clube ou da igreja. Durante as palestras de prevenção a gente nota o olhar de incredulidade dos ouvintes quando ficam sabendo que o perigo pode estar bem perto de nós?, comenta Márcia Caldas, presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da seção Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR).
Os abusadores usam de vários métodos para enganar a criança. Se é da família, usa, entre outras coisas, a autoridade. Os estranhos ou conhecidos criam formas de sedução, prometendo algum tipo de presente ou doce, caso que pode ter acontecido com Márcia. A delegada do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes de Curitiba, Ana Claudia Machado, comenta outros três casos semelhantes que ocorreram na capital. O abusador disse para os pequenos que eles haviam ganhado um prêmio, como uma bicicleta e uma casinha de boneca, mas precisavam ir junto buscá-los. ?Se as crianças tivessem sido orientadas o abuso teria sido evitado?, comenta a delegada.



