Foto: Portos Casela/Tribuna

120 livros e periódicos
foram levados.

Cento e vinte obras raras – entre livros, coleções, revistas, artigos e periódicos – foram furtadas da Biblioteca Pública do Paraná há cerca de um mês. O caso era mantido em sigilo, para que investigações realizadas pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) tivessem andamento. O valor dos títulos – que interessam apenas a colecionadores – não foi revelado. De acordo com a delegada Vanessa Alice, responsável pelo inquérito policial, tudo leva a crer que se trata de uma quadrilha que age em âmbito nacional. Furtos semelhantes foram registrados em São Paulo e no Rio de Janeiro, recentemente.

O diretor da biblioteca, Cláudio Fajardo, preferiu não se manifestar sobre o assunto, para não atrapalhar a investigação policial. Já foi confeccionado o retrato falado de um suspeito e, possivelmente, hoje será divulgado. Conforme o que pôde ser apurado, o suspeito passou vários dias na biblioteca, sob o pretexto de fazer pesquisas, e esteve nos setores onde aconteceram os furtos. Ele – independente de estar fazendo calor ou frio -usava sempre um capote grande e largo, o que leva a supor que escondia nas roupas os materiais furtados.

Quadrilha

As investigações do Cope apuram nomes de colecionadores do Brasil e de outros países, que podem ser compradores dos títulos furtados, e de restauradores, que podem receber as obras para retirar os carimbos que indicam se tratar de peças da biblioteca. Buscas também estão sendo feitas em sebos e livrarias que comercializam material antigo.

As obras furtadas da Biblioteca Pública do Paraná – dentre elas algumas de Machado de Assis – datam de 1800 e início de 1900. Já em São Paulo, a polícia prendeu um suspeito, que indicou ter deixado livros furtados em um restaurador. A delegada Vanessa Alice solicitou formalmente que a polícia paulista interrogue o suspeito a respeito do furto em Curitiba. Se for uma única quadrilha que está agindo no país, é possível que surjam informações que auxiliem no esclarecimento do caso.

Ainda segundo informações da polícia, uma obra rara pode ser vendida por mais de R$ 6 mil, dependendo do interesse do colecionador.